Flávio Dino suspende quebra de sigilo bancário de empresária amiga de Lulinha na CPI do INSS

Ministro questionou fato de 87 requerimentos terem sido aprovados de forma conjunta, sem fundamentação individual sobre cada pedido

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Flávio Dino

Ministro Flávio Dino suspendeu quebra de sigilo fiscal e bancário de empresária citada na CPI do INSS (Foto: Gustavo Moreno, STF, Divulgação)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu a quebra do sigilo bancário e fiscal da empresária Roberta Moreira Luchsinger, apontada como amiga de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). A decisão liminar foi divulgada nesta quarta-feira (4). As informações são da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

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A quebra de sigilo de Roberta havia sido aprovada pela CPI mista do INSS, que apura descontos e desvios feitos de pagamentos de aposentados e pensionistas.

Segundo a decisão de Dino, a comissão aprovou de uma vez só 87 requerimentos de quebra de sigilo, em votação conjunta, e não teria apresentado fundamentação individual para cada medida. Dino argumentou que “não é cabível o afastamento de direitos constitucionais no atacado”.

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O ministro afirmou que a votação simbólica de todos os requerimentos “parece não se compatibilizar” com o processo legal.

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PF segue apurando fatos

Com a decisão, os efeitos da quebra de sigilo fiscal e bancário de Roberta estão suspensos, o que impede o compartilhamento de dados ao Senado e a outros órgãos. A Polícia Federal deve continuar conduzindo a apuração dos fatos normalmente.

Dino definiu ainda que a CPI pode refazer o pedido de quebra de sigilo, mas é preciso que haja “motivação concreta”, debate e votação individual das solicitações. A decisão do ministro foi remetida para aprovação do plenário do STF e também foi encaminhada ao presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

A defesa de Roberta havia recorrido ao STF para tentar suspender a quebra de sigilo com a alegação de que a medida teria sido tomada pela CPI de modo “arbitrário” e “indiscriminado”. A decisão é encarada como possível forma de beneficiar Lulinha, já que o filho do presidente é apontado como possível beneficiário de transferências feitas pela empresária no contexto dos fatos investigados na CPI mista do INSS. A defesa dos citados nega qualquer irregularidade.