A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou, na quarta-feira (23), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a apuração de uma possível atuação de recursos e agentes estrangeiros nas eleições de 2026.
No pedido encaminhado ao tribunal, a campanha de Lula busca esclarecer se a atual participação estrangeira teria produzido benefícios eleitorais.
“O que estamos pedindo é que os fatos sejam esclarecidos, especialmente quanto à origem dos recursos, à atuação de agentes estrangeiros e a eventuais benefícios eleitorais. Uma eleição soberana exige transparência sobre quem está financiando e promovendo ações destinadas a influenciar o eleitor brasileiro”, afirmou o advogado Angelo Ferrero, responsável pela área jurídica da campanha de Lula, ao portal Poder 360.
Além da interferência de recursos e agentes estrangeiros nas Eleições 2026, a representação também solicita a cassação do registro e a declaração de inelegibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL) por oito anos, sob alegação de abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação.
Pedido de cassação da candidatura de Flávio e Eduardo Bolsonaro
O pedido feito pela coligação menciona notícias e publicações segundo as quais Flávio e Eduardo Bolsonaro teriam participado de articulações com autoridades dos Estados Unidos, entre elas o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio. Segundo a campanha, essas articulações teriam ocorrido fora dos canais diplomáticos oficiais.
Um dos elementos apresentados ao TSE é uma reportagem do site Amado Mundo sobre um possível financiamento do grupo norte-americano Rockbridge Network à candidatura de Flávio Bolsonaro.
A própria representação ressalva que essa acusação ainda precisa ser investigadasolicita a produção de provas e a tomada de depoimentos para esclarecer as suspeitas.
A Rockbridge é descrita no pedido como uma organização política cofundada por J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, voltada à promoção de uma agenda republicana.
Outros políticos são mencionados em documento
Além de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, a representação alcança Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice na chapa de Flávio nas Eleições 2026.
Também são mencionados como possíveis testemunhas o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o candidato Renan Santos (Missão) e o empresário Tallis Gomes, que afirma integrar a empresa norte-americana Rockbridge.
Campanha cita “infraestrutura de intervenção” dos EUA e possível benefício eleitoral
Outro eixo da petição trata de medidas adotadas pelos Estados Unidos que, segundo a coligação, poderiam ter produzido efeitos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O documento organiza o que chama de “infraestrutura de intervenção externa” em três áreas: comunicação, atuação institucional e diplomacia.
A representação menciona medidas com “aparência diplomática”, como sanções, tarifas e cancelamentos de vistos, e sustenta que essas ações poderiam ter sido utilizadas para gerar benefícios eleitorais.
A própria petição faz uma ressalva: a campanha de Lula não atribui diretamente essas medidas aos investigados, reconhecendo que se tratam de atos de um Estado soberano.
A alegação apresentada é de que Flávio e aliados teriam acesso para provocar essas iniciativas e posteriormente transformar seus efeitos em vantagem eleitoral.
Planalto monitora possível atuação dos EUA desde o início do ano
A preocupação com uma possível influência norte-americana sobre a eleição brasileira já vinha sendo acompanhada pelo Palácio do Planalto, segundo as informações apresentadas pela campanha.
O monitoramento teria começado em janeiro, depois da operação dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro.
A partir daquele momento, auxiliares do presidente passaram a observar de que maneira a política externa de Donald Trump poderia repercutir na disputa eleitoral brasileira.
Entre os episódios considerados nessa avaliação estavam o apoio público de Trump ao candidato de direita Nasry Asfura, do Partido Nacional de Honduras, e o auxílio financeiro dos Estados Unidos ao governo de Javier Milei, na Argentina.




