A reta final das Eleições 2026 foi marcada por mudanças de posição do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) em temas como maioridade penal, escala de trabalho 6×1 e Bolsa Família. Em meio à campanha pelo 2º turno, os candidatos passaram a rever declarações anteriores, ajustar propostas e explicar publicamente suas posições.
Recentemente, em entrevista à Globo, Lula admitiu ter mudado de opinião sobre a redução da maioridade penal, enquanto Flávio anunciou voto favorável ao fim da escala 6×1 depois de criticar a proposta. No caso do Bolsa Família, declarações da equipe econômica do candidato do PL provocaram questionamentos sobre as regras de permanência no programa, levando o senador a defender publicamente a continuidade do benefício.
Lula muda de posição sobre maioridade penal
O presidente Lula passou a defender a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos durante entrevista à Globo, em 15 de outubro.
“Meu pensamento, enquanto cidadão, eu sou a favor de reduzir a maioridade penal para todo e qualquer crime hediondo. Mas a PEC não estava discutindo isso. Eu sou favorável a reduzir para 16 anos, mas não nessa PEC. Aprova a PEC e aí discute isso”, declarou.
Quatro dias depois, em sabatina ao SBT, Lula reconheceu a mudança de opinião. Questionado sobre a nova posição, afirmou: “Temos que ter a capacidade de mudar de opinião quando nós somos convencidos de que é importante”.
O presidente também argumentou que uma proposta semelhante já havia sido incluída na campanha presidencial de Fernando Haddad (PT) em 2018, embora a redução da maioridade penal seja historicamente um tema de divergência dentro do partido.
A posição de Lula difere da proposta defendida por Flávio Bolsonaro. O senador defende uma redução mais abrangente, com possibilidade de responsabilização penal de adolescentes a partir dos 14 anos em determinadas situações.

Flávio Bolsonaro muda de posição sobre a escala 6×1
O senador Flávio Bolsonaro anunciou, em 13 de outubro, que votaria a favor do fim da escala de trabalho 6×1, depois de criticar a proposta e questionar a defesa da medida pelo governo Lula. Na semana anterior, o candidato havia classificado como “oportunista” a iniciativa do presidente de defender a mudança durante a campanha eleitoral.
Flávio justificou a decisão com o argumento de que acompanharia a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros, embora tenha mantido ressalvas sobre a proposta. Na entrevista à Globo, em 16 de outubro, Flávio voltou ao assunto e afirmou que estava disposto a rever suas posições quando convencido de que uma mudança seria melhor para a população.
“Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros”, disse.
A mudança ocorreu em um momento em que o fim da escala 6×1 ganhou destaque na disputa presidencial. Lula defendeu a redução da jornada sem diminuição salarial, enquanto Flávio sustentou que seria necessário discutir mecanismos para compensar os custos para as empresas.

Bolsa Família provoca reação na campanha de Flávio
A proposta para o Bolsa Família apresentada pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro também provocou repercussão na campanha. Na última segunda-feira (19), Daniella Marques, coordenadora econômica do candidato, afirmou que um eventual governo do senador adotaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio.
Pela proposta, os beneficiários poderiam continuar recebendo parte do auxílio durante o período de transição. Caso perdessem a renda, poderiam retornar ao programa, conforme as regras previstas pela campanha.
“Vai ter regra de transição, como teve na época do presidente [Jair Bolsonaro], de dois anos para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada, e um retorno automático caso dê errado”, afirmou Daniella em entrevista à CBN Bahia.
A declaração gerou questionamentos sobre a possibilidade de mudanças nas regras de permanência no benefício. Adversários interpretaram a proposta como uma possível restrição ao programa, enquanto a equipe de Flávio afirmou que não haveria cortes nos benefícios sociais.
Em resposta à repercussão, Flávio publicou um vídeo em 19 de outubro no qual garantiu que manteria o auxílio. “Você que recebe o Bolsa Família fica tranquilo, o seu benefício está garantido, porque eu vou cuidar de você”, afirmou.












