O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), reeleito nas Eleições 2026 como o segundo deputado mais votado, foi preso na manhã desta quinta-feira (15) na Operação Unha e Carne 8. Também foi preso, na mesma operação, o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.
Quem determinou as prisões foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, como um desdobramento de outra fase da mesma operação, realizada em julho, que já havia culminado na prisão de Canella depois que policiais encontraram um fuzil no carro dele, conforme informações do g1.
A operação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro com anuência de políticos em uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro. O esquema teria movimentado, em 6 anos, R$ 7,6 bilhões.
“Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, disse a PF.
Canella recebeu 197.178 votos no Rio de Janeiro no dia 4 de outubro. Ele já havia sido prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, cargo que renunciou no início do ano para concorrer, inicialmente, a uma vaga ao Senado pelo estado. Em agosto, ele anunciou que desistiria de concorrer ao cargo “para manter a atuação mais próxima da população da Baixada Fluminense”.
A defesa de Canella disse que não se pronunciará até ter acesso aos autos.
Seis pessoas presas
Ao todo, foram cumpridos 6 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Veja abaixo quem são os presos:
- Christiano Gaspar Fernandes, inspetor da Polícia Civil;
- Giovanni Gaspar Fernandes, inspetor da Polícia Civil;
- José Carlos Alves de Souza Júnior, inspetor da Polícia Civil;
- Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella, deputado estadual eleito;
- Marcus Vinicius Amim Fernandes, delegado e ex-chefe da Polícia Civil;
- Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, inspetor da Polícia Civil.
A atividade econômica de 112 empresas investigadas no esquema, sendo elas a maioria, postos de gasolina, tiveram as ações suspensas.
Quem é Márcio Canella
Márcio Canella começou na política sendo eleito vereador de Belford Roxo, em 2012. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual. Nas eleições de 2016, Canella se elegeu vice-prefeito de Belford Roxo, e dois anos mais tarde retornou para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Permaneceu como parlamentar até as eleições de 2024, quando foi eleito prefeito de Belford Roxo, cargo que deixou em abril deste ano para concorrer ao Senado nas eleições de outubro.
Márcio Canella ficou conhecido por publicar vídeos nas redes sociais denunciando a ação de milicianos em Belford Roxo. Ele chegou a criar canais de contato para a população denunciar a atuação dos membros da milícia.




