Uma pesquisa realizada entre 1° e 4 de setembro, com cerca de 1.449 eleitores brasileiros, mostrou que 47% dos eleitores brasileiros deixam de falar sobre o voto em casa para evitar conflitos. O levantamento aponta diferenças entre homens e mulheres na forma como questões de gênero influenciam a escolha de candidatos.
Segundo a Hibou Pesquisas e Insights, responsável pelo levantamento, 80% das eleitoras levam em consideração declarações machistas feitas por candidatos. Entre os homens, apenas 23% afirmam considerar esse tipo de fala na decisão.
Voto entra na discussões de casal
Um dos pontos abordados pela pesquisa questiona os entrevistados sobre a escolha do casal nos candidatos às eleições. Segundo o levantamento, 73% dos entrevistados afirmaram que casais não precisam votar no mesmo candidato, no entanto, 16% dos homens entendem que o casal deve decidir conjuntamente em quem votar.
Em casos de discordância, 22% dos homens consideram aceitável tentar convencer insistentemente a parceira a mudar de escolha. O percentual é mais que o dobro do registrado entre as mulheres.
A pesquisa também mostra que 67% dos brasileiros já ouviram a afirmação de que “mulher não sabe votar”.
Participação feminina na política
O estudo também se aprofundou na percepção da população sobre o tratamento dado às mulheres na política. Enquanto 70% das mulheres dizem que uma mulher com opinião política forte é comumente chamada de “histérica”, “emocional” ou “desequilibrada”, em comparação com um homem na mesma situação, somente 28% dos homens reconhecem esse comportamento.
Nas redes sociais, 62% das mulheres afirmam já ter visto publicações dizendo que mulheres não deveriam votar ou seriam facilmente manipuláveis. Entre os homens, o percentual é de 33%.
Além disso, a pesquisa também evidenciou um desconhecimento dos brasileiros sobre machismo nas eleições, ao apontar que apenas 47% da população afirma saber que existe nas redes uma tentativa de deslegitimar e desestimular o voto feminino.
Machismo ainda possui votos
O levantamento feito pela Hibou Pesquisas e Insights também se debruçou sobre a avaliação dos eleitores sobre posicionamentos machistas dos candidatos às eleições.
A pesquisa apontou que 23% dos homens entrevistados dizem levar em consideração falas ou posicionamentos machistas do candidato. Outros 14% afirmam que fazem isso “às vezes”.
Para Ligia Mello, coordenadora de pesquisa da Hibou Pesquisas e Insights, o resultado não é uma novidade ao se analisar o atual cenário social brasileiro e a propagação da misoginia no país:
“É a misoginia do voto, um conjunto de crenças enraizadas e normalizadas que permeiam movimentos contra o voto feminino nas redes sociais, encabeçados por influenciadores ‘Red Pill’”.





