Seu Dilson Dalpiaz dirigia uma ambulância na manhã desta terça-feira (6) quando descobriu que vai assumir a prefeitura de Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí. Vereador eleito da pacata cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, ele se divide com a função de motorista da Secretaria de Saúde, onde atua há 26 anos.
Essa não será a primeira vez que Dilson vai assumir a prefeitura, mas a situação atual é inédita. O prefeito de Rio dos Cedros, Jorge Luiz Stolf (PL), e o vice, Rafael Nones (União Brasil), foram afastados dos cargos pela Justiça. Os dois são suspeitos de participação em esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Dilson Dalpiaz (PSD) está no quinto mandato e, atualmente, é o presidente da Câmara de Vereadores de Rio dos Cedros. Pela lei, ele deve assumir a vaga de prefeito diante da impossibilidade de prefeito e vice. O parlamentar já tinha ocupado essa cadeira, mas sempre para cobrir as férias dos chefes do Executivo.
“Minha trajetória profissional e também minha experiência no Legislativo sempre foram pautadas pelo contato direto com a comunidade e pelo compromisso com o serviço público”, conta Dilson.
A Câmara foi notificada oficialmente e ao longo desta tarde fez o trâmite burocrático de posse do vereador. Em um caso normal, haveria até uma cerimônia de transição, mas, neste caso, houve apenas um processo burocrático, com assinatura de documentos. O primeiro-secretário assumiu a presidência da Câmara.
A investigação que levou ao afastamento de prefeito e vice de Rio dos Cedros
A operação Passe de Mágica, da Polícia Civil, cumpriu 37 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (6) em três municípios do Vale do Itajaí: Rio dos Cedros, Timbó e Blumenau. Porém, conforme o inquérito, os crimes teriam ocorrido apenas na administração da prefeitura de Rio dos Cedros.
As investigações começaram no ano passado e duraram 15 meses. Um dos indícios aponta que o grupo comprava imóveis em Rio dos Cedros e depois fazia obras de melhoria na região com dinheiro público para valorizar esses imóveis, visando lucro.
Além disso, segundo a Polícia Civil, licitações e contratos de obras eram direcionados para empresas ligadas aos investigados. O grupo usava dinheiro vivo e algumas empresas para movimentar os recursos e esconder a origem.
Além do afastamento do prefeito e do vice, a Justiça também afastou a secretária de Administração e um servidor público. A Justiça ainda determinou a suspensão de contratos e pagamentos a empresas investigadas; o sequestro de 26 imóveis e o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 34,6 milhões.
A prefeitura de Rio dos Cedros não abriu durante a manhã, enquanto policiais recolhiam documentos, computadores e aparelhos telefônicos. A reportagem tentou contato com os envolvidos, mas não teve retorno até a publicação deste texto. A administração municipal também não se manifestou ainda.
Cerca de 120 policiais precisaram ser mobilizados para cumprir todas as ordens judiciais.
O que diz a prefeitura
Nesta terça-feira (06), agentes da Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da 4ª DECOR/DEIC, estiveram na Prefeitura de Rio dos Cedros para dar cumprimento a mandado judicial.
O Poder Executivo esclarece à população que, mantendo seu compromisso com a verdade e prezando pela agilidade e eficiência das investigações, vem colaborando integralmente com as autoridades responsáveis, tendo disponibilizado servidores, documentos, informações, equipamentos e materiais, além de permanecer à disposição para quaisquer outras medidas e esclarecimentos que se fizerem necessários.
Os serviços públicos da rede municipal continuam funcionando normalmente, não havendo suspensão de prazos, trâmites ou expedientes administrativos.
A Administração Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a preservação das instituições democráticas e do Estado de Direito.










