O que está por trás de pausa de um mês nas tarifas de produtos do México nos EUA

Acordo "amigável" entre os dois países foi anunciado pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, nesta segunda-feira (3); entenda

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donald trump

Trump confirmou suspensão das tarifas após fala da presidente do México (Foto: Facebook, Divulgação)

As tarifas que Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos (EUA), prometeu sobre os produtos importados do México serão “pausadas” durante um mês, anunciou a presidente do país, Claudia Sheinbaum, nesta segunda-feira (3). A promessa era de que os EUA impusesse, a partir do último sábado (1º), tarifas de 25% sobre os itens importados do Canadá e do México. Produtos da China teriam taxação de 10%. As informações são do g1.

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No X, antigo Twitter, a presidente comunicou que, após uma conversa com o presidente norte-americano, os dois chegaram a uma série de acordos. São eles:

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  • México terá que reforçar, imediatamente, a fronteira norte com 10 mil membros da Guarda Nacional para impedir o tráfico de drogas do México para os EUA (particularmente fentanil);
  • EUA se compromete em trabalhar para impedir o tráfico de armas de alta potência para o México;
  • Segurança e comércio serão duas frentes em foco das equipes dos dois países;
  • Tarifas comerciais entre os dois países estão suspensas por um mês a partir de agora.

Tarifas contra México, Canadá e China abalam economias; SC pode ter oportunidades

A presidente mexicana afirmou, em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira, que essa seria a melhor forma de o México e os EUA continuarem competitivos com a China e outras nações mundiais.

Agora, o México passa a ter três mesas de trabalho conjuntas com o governo norte-americano, disse Sheinbaum.

— Já temos uma mesa com a Secretaria do Departamento dos Estados Unidos, onde o subsecretário está trabalhando fortemente para a defesa dos nossos irmãos mexicanos e sobre todos os temas que tenham a ver com imigração. Agora, se abrem duas novas mesas de trabalho, uma para tratarmos sobre o tema de segurança e outra sobre o tema de comércio. Teremos um mês para trabalhar e convencer a todos que esse é o melhor caminho — continuou.

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Trump também falou sobre o acordo na própria rede social, a Truth Social. Ele disse que a conversa foi “muito amigável”, além de destacar que os soldados enviados pelo México para a fronteira — que faz parte do acordo — serão “designados especificamente para interromper o fluxo de fentanil e migrantes ilegais”.

O presidente estadunidense confirmou a suspensão das tarifas previstas. Ainda segundo ele, os secretários Marco Rubio (de Estado), Scott Bessent (de Tesouro) e Howard Lutnick (do Comércio), irão liderar as negociações com “representantes de alto nível do México”.

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Estou ansioso para participar dessas negociações, com a presidente Sheinbaum, enquanto tentamos alcançar um ‘acordo’ entre nossos dois países“, escreveu Donald Trump.

Economia mexicana e imigração

Enquanto falava sobre o novo acordo entre os dois países, a presidente do México foi questionada sobre os impactos dele na economia mexicana, e se há uma intenção de estimular o consumo de produtos domésticos. Em resposta, Sheinbaum relembrou o “Plano México”, plano de desenvolvimento econômico anunciado recentemente.

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— O plano México vai nessa direção, de [permitir] o acordo comercial, mas também para fortalecer a produção no nosso país, [de uma maneira] que permita um crescimento econômico, com proteção dos empregos e do meio ambiente. É muito importante essa pausa nas tarifas [porque isso] nos permite trabalhar, negociar e reconhecer a importância do tratado e com o mercado de continuar fortalecendo nosso desenvolvimento — comentou.

A presidente reforçou, ainda, que tem feito reuniões semanais com os secretários da Fazenda e da Economia do México. Os principais assuntos são os gastos, receitas, políticas financeiras do país e até mesmo o andamento do próprio “Plano México”.

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— A economia do México é muito forte e [esse acordo com os EUA] nos dá tranquilidade e força, em termos da relação que temos com qualquer país do mundo. […] Sempre tomamos decisões frente à situação — continuou ela.

O grupo de trabalho do governo, voltado para imigração, mantém conversas frequentes com os EUA, “sempre em defesa dos mexicanos”, completou Sheinbaum.

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— Eles sempre terão nosso apoio. Sempre. Acima de qualquer coisa. É dever da presidente defender os mexicanos em qualquer lugar do mundo, e em particular nos EUA, situação que fazemos com muita convicção, solidariedade e amor — finalizou.

Em caminho oposto, Canadá está “trocando chumbos”

Ao contrário do México, o Canadá retaliou as medidas tarifárias. No sábado (1º), anunciou uma taxa de 25% sobre produtos dos EUA.

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O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau. Na ocasião, ele afirmou que as tarifas prejudicariam os EUA, que é um aliado de longa data. Ele encorajou, ainda, que os canadenses comprassem produtos de lá, além de passarem as férias no país.

As tarifas de 25% que afetam os EUA, segundo Trudeau, incluem produtos como cerveja, vinho, bourbon, frutas, sucos de frutas (como o suco de laranja da Flórida), roupas, equipamentos esportivos e eletrodomésticos.

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Além das tarifas, o governo estuda também medidas não tarifárias, como restrições ligadas a minerais críticos, aquisição de energia e outras parcerias.

Ao contrário do país, a presidente do México, ao ser questionada se a decisão de fortalecer a produção doméstica por parte do Canadá poderia ser uma saída, Sheinbaum afirmou que é mais interessante para o México manter o acordo comercial com os EUA.

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— É interessante para nós manter o acordo comercial com os EUA. Consideramos que é benéfico para o México e para os Estados Unidos — afirmou a presidente.

“Tarifaço” de Trump

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou na última sexta-feira (31) que os Estados Unidos iriam impor tarifas de 25% sobre os produtos importados do Canadá e do México a partir de sábado. Uma tarifa de 10% sobre importações da China também seria aplicada.

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As medidas são promessas antigas do presidente dos EUA, Donald Trump, de taxar seus três principais parceiros comerciais. Em entrevista a jornalistas no Salão Oval, o presidente dos EUA disse que a aplicação das tarifas visa lidar com déficits comerciais e problemas nas fronteiras.

Desde 2018, as importações de produtos chineses pelos EUA se estabilizaram — um cenário que os economistas atribuíram em parte a uma série de tarifas que Trump impôs durante seu primeiro mandato.

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Até o momento, os chineses têm se mostrado dispostos a evitar uma nova guerra comercial.

*Sob supervisão de Andréa da Luz

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