Portugal reconhece pela 1ª vez culpa por escravidão e massacre no Brasil

A declaração foi feita na terça-feira (22); Ministra dos Povos Indígenas do Brasil rebate

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Reparação Portugal reconhece pela 1ª vez culpa por escravidão e massacre no Brasil

Presidente afirmou que seu país "assume total responsabilidade pelos danos causados" (Foto: Filipe Amorim, Reuters)

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o país foi responsável por uma série de crimes contra escravos e indígenas no Brasil na era colonial e deve pagar por isso. A afirmação foi feita na terça-feira (23) durante uma conversa com correspondentes estrangeiros. As informações são do g1.

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O presidente disse também ter sugerido ao seu governo fazer reparações pela escravidão e afirmou que seu país “assume total responsabilidade pelos danos causados”, como massacres a indígenas, a escravidão de milhões de africanos e bens saqueados.

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— Temos que pagar os custos [pela escravidão]. Há ações que não foram punidas e os responsáveis não foram presos? Há bens que foram saqueados e não foram devolvidos? Vamos ver como podemos reparar isso — declarou.

Rebelo de Sousa não especificou de que forma a reparação será feita.

Essa é a primeira vez que um chefe de estado de Portugal reconhece tal culpa. Em 2023, Rebelo de Sousa disse que o país deveria “se desculpar pela escravidão transatlântica e pelo colonialismo”, mas não chegou a concretizar o pedido de desculpas.

Nessa terça-feira (23), o presidente afirmou que reconhecer o passado e assumir responsabilidade por tal é mais importante do que pedir desculpas.

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— Pedir desculpas é a parte mais fácil — diz ele.

Mais de 6 milhões de escravizados

O país traficou quase seis milhões de africanos na era colonial, metade do total de pessoas escravizadas na época pelos países do continente europeu.

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Até os dias de hoje, porém, as autoridades do país falam pouco dos crimes cometidos, além das escolas não abordarem o papel de Portugal na escravidão transatlântica. A era colonial de Portugal — quando países como Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Timor Leste, além de partes da Índia, foram sujeitas ao domínio do país — é vista como motivo de orgulho.

Por mais de quatro séculos, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e transportados contra a sua vontade por longas distâncias, por navios e comerciantes europeus, e vendidos como escravos. As pessoas que sobreviviam à viagem eram enviadas para trabalhar sem qualquer remuneração em plantações no Brasil e no Caribe.

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O movimento de reparações remuneradas ou de outras medidas pela escravidão transatlântica vem ganhando força em todo o globo. Há também esforços para o estabelecimento especial sobre a questão.

Ministra brasileira exige medidas contra “racismo e xenofobia”

Após a fala do presidente de Portugal, a Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, afirmou nesta quinta-feira (25) que a declaração “deve vir acompanhada de medidas reparatórias que impactem de maneira palpável a população negra e indígena”.

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— É preciso também que sejam implementadas políticas sérias contra racismo e xenofobia que muitos brasileiros ainda sofrem em terras portuguesas — afirmou Guajajara.

A ministra diz também que o reconhecimento da responsabilidade e a disposição para promover reparação dos crimes cometidos pelo país trazem ao debate público internacional, de forma inédita, a relevância inadiável de avançar numa agenda por igualdade étnico racial.

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Sônia Guajajara, assim como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lembra que o reconhecimento dos crimes cometidos por Portugal é uma demanda antiga dos movimentos indígenas e negros do Brasil.

— Nosso governo está aberto ao diálogo e à contribuição na construção das ações, medidas e planos de valorização e reparação que possam ser executados por Portugal — afirmou Guajajara.

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