O governo do Rio de Janeiro exonerou nesta sexta-feira (23) o presidente do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência), Deivis Marcon Antunes, após uma operação da Polícia Federal que o teve como um dos alvos de busca e apreensão no âmbito das investigações sobre as fraudes do Banco Master. A exoneração foi publicada em edição extra do Diário Oficial do estado.
Deivis afirma que foi exonerado após apresentar uma carta pedindo pelo ato, mas o governo do Rio de Janeiro afirmou que Deivis já era investigado e, por isso, o afastou. Na mesma operação, diretores do Rioprevidência também foram alvos.
O agora ex-presidente do Rioprevidência afirmou, na carta de exoneração, que as férias estavam programadas desde novembro e que a exoneração tem como objetivo a garantia de “lisura e transparência” no processo. As férias foram citadas porque Deivis não estava em casa no momento da operação da PF, e sim nos Estados Unidos, para onde embarcou no dia 15 de janeiro.
Investigação iniciou em dezembro
De acordo com o governo, a investigação iniciou em dezembro pela Controladoria Geral do Estado para “apurar todos os fatos relativos a investimentos feitos pela autarquia, reforçando o seu compromisso com a proteção do patrimônio previdenciário do funcionalismo fluminense”. Foram feitos aportes de quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Daniel Vorcaro, de acordo com o Rioprevidência, que seriam supostamente irregulares, segundo a PF.
“A investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de 9 operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, disse a PF.
PF cumpriu mandado na casa de Deivis
Um dos quatro mandados de busca e apreensão foi realizado na a casa do então presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, em Botafogo. A defesa de Deivis, representada pelo advogado Paulo Klein, afirmou que ele estava em período de férias “programadas desde novembro de 2025, nos termos das normas internas vigentes”.
Também foram alvos da operação o ex-diretor de investimentos, Eucherio Lerner Rodrigues, e o ex-diretor de investimentos interino, Pedro Pinheiro Guerra Leal. Na casa de Eucherio, foram encontrados R$ 3,7 mil em notas novas em uma mochila que, segundo o ex-diretor de investimentos, seria usado para pagar um pedreiro em uma obra em casa.
O que disse o Riopreviência
“O Rioprevidência informa que todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle.
O Rioprevidência destaca ainda que está resguardado por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pela autarquia. A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio.
Dessa forma, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos.
A autarquia reforça também que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários.
O Rioprevidência informa ainda aos segurados que a prestação de serviços acontece normalmente, e o calendário de pagamentos permanece sem qualquer alteração.”
*Com informações do g1 e da CNN
