O candidato a presidente da República Ronaldo Caiado (PSD) voltou a defender a anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e detalhou medidas que pretende adotar para combater facções criminosas no país caso seja eleito presidente nas Eleições 2026. As afirmações foram dadas na terceira entrevista da série de sabatinas com presidenciáveis do programa Estúdio i, do canal Globonews, na tarde desta sexta-feira (7).
Caiado voltou a defender a anistia a envolvidos no 8 de janeiro logo no início da entrevista. Segundo ele, a medida seria um gesto em favor de uma “pacificação”, propondo uma virada de página na divisão política.
“O cidadão comum que pega o ônibus, que é assaltado, que a filha dele é estuprada, que ele não tem internet no seu bairro, que seu bairro está dominado pela facção, o que ele quer do Brasil? O que o Brasil quer neste momento?”, questionou, citando outras temáticas como problemas de segurança pública do país.
O presidenciável do PSD antecipou que pretende fazer uma revisão em termos da reforma tributária aprovada no atual governo e que deve começar a entrar em vigor em 2027. Também defendeu o corte de incentivos fiscais e citou ações feitas no governo de Goiás, como a reforma da Previdência estadual.
Emendas parlamentares e câmeras corporais
Questionado sobre o impacto das emendas parlamentares no orçamento da União e como lidaria com esse tema com o Congresso, Caiado afirmou que “convive bem” com as emendas e que elas não seriam um problema. Ele defendeu que os valores a que os parlamentares têm direito seriam destinados a projetos e obras já mapeados pelo governo federal, e não de livre indicação ou direcionados a ONGs e entidades apontadas por parlamentares.
Caiado voltou a defender a atuação da Polícia Militar sem uso de câmeras corporais. Confrontado com dados que mostram eficiência da ferramenta até mesmo na segurança dos policiais, o ex-governador goiano apontou que o equipamento despertaria questionamentos sobre a atuação policial.
“As pessoas têm que entender que estamos numa guerra”, discursou.
Nova polícia transnacional
Ainda sobre o tema de facções criminosas, defendeu a aprovação de uma lei para permitir o uso das Forças Armadas para a reocupação de territórios ocupados por organizações ligadas ao crime, inclusive na região Amazônica. Também prometeu a criação de uma nova polícia transnacional, em parceria com os 10 países que fazem fronteira com o Brasil, e que poderiam atuar para além dos limites das fronteiras.
“Já existe uma polícia europeia que não tem fronteira. Eu quero criar essa polícia na América do Sul, em parceria com 10 países, com livre trânsito, para que isso dê rapidez nas operações”, sustentou.
Terras raras
Caiado também defendeu a criação de uma política que permita a separação de elementos químicos presentes nas chamadas terras raras, que permitam a venda da matéria-prima a valores mais elevados. Ele explicou que memorandos assinados com o Japão e os Estados Unidos durante a gestão do governo de Goiás tinham esse objetivo.
“O que eu mostrei, e aí o governo federal veio [dizer]: “Caiado quer entregar terras raras para os americanos”. Veja bem o quanto são pequenos e rasteiros nos debates. O memorando de entendimento com os americanos diz o seguinte: vamos para a universidade com o Estado e empresários para desenvolver a separação desses elementos químicos das terras raras pesadas. Lá em Goiás se vende a 70 dólares a tonelada para a China. Só de separar, pegar um quilo de térbio, de disprósio, de neodímio, que são esses elementos químicos que estão dentro das terras raras, eles custam em torno de 500 a 1 mil dólares o quilo”, comparou.
O presidenciável negou incluir as terras raras como moeda de troca em negociações com os EUA, mas admitiu que esse seria um dos atrativos do Brasil que poderiam entrar na mesa de negociação contra sanções como o tarifaço. Caiado criticou as negociações brasileiras e as críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que segundo ele favorecem as sobrataxas americanas.
“O Lula botou na cabeça que o presidente do Canadá ganhou brigando com o Trump, que o presidente da Austrália ganhou brigando com o Trump, e ele acha que essa briga vai dar resultado pra ele aqui. Não vai… Isso é uma briga que só traz prejuízo”, defendeu.
“Competição de rejeitados”
Questionado sobre como pretende “furar a bolha” do eleitorado, já que é visto como ligado ao Centro por eleitores dos dois candidatos mais identificados com a esquerda e direita, Caiado alfinetou Lula e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) citando os altos índices de rejeição dos dois, e afirmou que pretende ver uma eleição decidida com base “no conteúdo, na vida pregressa e no exemplo de vida”.
“As pessoas não estão agora num jogo de revanche. Não é possível que vão querer agora eleger os candidatos mais rejeitados do Brasil. Uma competição de rejeitados. Um tem 50%, outro tem 48%, de vez em quando o outro vai para 53%, 50%. Essa é a competição, os mais rejeitados”, disparou.













