Santa Catarina tem a maior proporção de candidatos brancos e a menor de candidatos negros do Brasil nas Eleições 2026, segundo levantamento feito pelo NSC Total com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 692 candidatos registrados no estado, 576 se declaram brancos, o equivalente a 83,24% do total.
No total, 108 candidatos em SC se declaram pretos ou pardos — grupos que, somados, são considerados população negra pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles representam 15,61% das candidaturas de Santa Catarina, a menor proporção entre as unidades da federação.
Do total de candidatos em SC, 66 se declaram pardos, ou 9,54%, e 42 pretos, o equivalente a 6,07%. Há ainda sete candidatos indígenas e uma candidata que se declara amarela.
Os dados mostram que as candidaturas são mais brancas que a população do Estado. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 76,28% dos moradores de SC são brancos e 23,29% são pretos ou pardos. SC tem a segunda maior proporção de população branca do Brasil, atrás do Rio Grande do Sul (78,42%).
Os dados de raça ou cor utilizados no levantamento são os declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Da mesma forma, no Censo, a classificação de cor ou raça é feita por autodeclaração.
Veja como se declaram os candidatos em SC
- Brancos: 576 (83,24%)
- Pardos: 66 (9,54%)
- Pretos: 42 (6,07%)
- Indígenas: 7 (1,01%)
- Amarela: 1 (0,14%)
O percentual contrasta com a média brasileira, que tem cerca de metade (49,87%) das candidaturas de pretos ou pardos. A Bahia aparece no extremo oposto a Santa Catarina, com 76,16% de candidatos negros.
Estados com a maior proporção de candidaturas de pessoas negras (pardas + pretas)
Brasil: 49,87%
- Bahia: 76,16%
- Acre: 73,67%
- Tocantins: 70,51%
- Amazonas: 68,11%
- Maranhão: 67,11%
- Pará: 67,04%
- Amapá: 66,46%
- Rondônia: 64,40%
- Roraima: 64,21%
- Piauí: 63,71%
- Sergipe: 63,68%
- Pernambuco: 57,44%
- Ceará: 56,94%
- Paraíba: 56,61%
- Distrito Federal: 54,90%
- Goiás: 52,99%
- Alagoas: 52,36%
- Minas Gerais: 52,04%
- Rio de Janeiro: 51,93%
- Espírito Santo: 51,90%
- Rio Grande do Norte: 49,38%
- Mato Grosso: 48,98%
- Mato Grosso do Sul: 37,95%
- São Paulo: 30,42%
- Paraná: 25,21%
- Rio Grande do Sul: 18,70%
- Santa Catarina: 15,61%
Representação negra é menor nos cargos mais altos
Os dados mostram que, quanto maior o cargo, menor é o número de candidatos negros. Dos 108 candidatos negros em Santa Catarina, 102, ou 94,4%, disputam vagas de deputado estadual ou federal. Considerando governador, vice-governador e senador, são apenas três candidatos pretos ou pardos (veja abaixo).
Para o historiador e antropólogo catarinense Willian Luiz da Conceição, pesquisador de pós-doutorado no Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), os números mostram uma sub-representação da população negra na política catarinense.
“A presença negra e indígena em Santa Catarina é anterior à chegada de muitas das levas de imigrantes europeus. Essa presença permanece significativa no presente”, diz o especialista, destacando que a participação de negros entre os candidatos é menor do que na população catarinense.
Segundo Conceição, essa baixa representação está relacionada a um processo histórico de invisibilização da população negra no Estado.
“Essa invisibilidade não se restringe a um fenômeno simplesmente demográfico, mas se articula a processos de subalternização social, econômica e política. A população negra foi historicamente posicionada em oposição ao projeto de um Estado que buscou se representar como branco. (…) A invisibilidade sócio-histórica das populações negras e indígenas em Santa Catarina e em outros territórios do Sul do país foi também produzida por discursos apoiados em estatísticas demográficas, frequentemente mobilizadas para sustentar a ideia de que ‘não há negros por aqui’“, diz Willian Luiz da Conceição.
Para Conceição, a sub-representação também pode ter consequências na formulação de políticas públicas e na definição das prioridades orçamentárias.
“Essa distância pode ter consequências concretas para a vida da população negra, pois reduz a diversidade de experiências e perspectivas presentes na formulação das políticas públicas e na definição das prioridades orçamentárias”, diz o especialista, autor do livro Branquitude: dilema racial brasileiro (Papéis Selvagens, 2020).
Candidatos de SC negros por cargo
- Deputado estadual: 59 candidatos negros (39 pardos e 20 pretos)
- Deputado federal: 43 (25 pardos e 18 pretos)
- Governador: Bruno Pedreiro (PCO), pardo
- Vice-governador: Nathália Melo (UP), preta
- Senador: Carol (PCO), preta
- 2º suplente de senador: Cida da Silva (PT) e Jorge Luiz Adão (UP), pretos, e Diego Santos Vieira (Missão), pardo
