Há pelo menos sete eleições uma máxima prevalece nas eleições presidenciais brasileiras: quem vence em Minas Gerais conquista também o cargo de presidente. Só por essa mística, a eleição no estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país já recebe atenção especial dos partidos na definição das candidaturas ao governo e ao Senado.
Neste ano, porém, a definição dos palanques dos dois principais concorrentes ao Palácio do Planalto em Minas Gerais enfrenta turbulências e indefinições mesmo após o início do prazo para convenções partidárias. As pré-candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) mobilizam o eleitorado dos seus grupos políticos, mas não foram suficientes para empolgar aliados na corrida pelo governo do estado mineiro.
No campo da direita, Flávio Bolsonaro ainda não tem um pré-candidato a governador para lhe oferecer palanque no Estado. O PL aguarda a definição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas, mas que ainda não confirmou se irá ou não concorrer. Caso concorra, o partido de Flávio poderia indicar um nome de vice na chapa.
Quem são os pré-candidatos a presidente da República em 2026
Com a indefinição, o PL busca nomes que possam ser um “plano B” caso Cleitinho decida não disputar o Palácio Tiradentes. O empresário e ex-prefeito da cidade de Betim (MG), Vittorio Medioli, e o também empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, são as duas opções mais prováveis. O PL já adiou a convenção para a segunda-feira (27), e ainda assim cogita fazer a reunião partidária sem definir o futuro para a corrida ao governo do Estado.
O cenário em Minas é mais incerto do que em outros estados importantes, como São Paulo, onde o duelo entre o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o lulista Fernando Haddad (PT) vai se repetir, ou no Rio de Janeiro, em que os partidos também já anteciparam as decisões para o governo nas Eleições 2026.
Mudança de planos também entre petistas
O cenário não é mais tranquilo no lado petista da disputa. O partido de Lula também buscou nos últimos meses uma candidatura que pudesse servir de palanque consistente para a reeleição do atual presidente da República. O plano A do partido era uma candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que chegou a se filiar ao PSB, partido da base aliada de Lula. O parlamentar, no entanto, decidiu não concorrer, exigindo que a cúpula petista revisse os planos.
A ex-prefeita de Contagem (MG), Marília Campos (PT), foi outro nome cogitado. Considerada de perfil moderado e uma nova liderança da sigla, ela, no entanto, optou por manter a pré-candidatura ao Senado, descartando a corrida pelo governo do Estado. Um apoio à candidatura de Alexandre Khalil (PDT), segundo colocado nas pesquisas e que já foi apoiado pelos petistas em 2022, chegou a ser cogitado.
No entanto, os petistas optaram por uma quarta opção em Minas Gerais. O deputado federal Patrus Ananias (PT), atualmente no quarto mandato na Câmara, foi anunciado como pré-candidato do partido no início desta semana. A candidatura própria tenta unir o eleitorado petista no Estado e oferecer uma base sólida de apoiadores no território mineiro, considerado um estado-chave nas disputas presidenciais.
Além de Lula e Flávio, quem também olha com atenção para Minas Gerais é o pré-candidato Romeu Zema (Novo). Governador do estado mineiro entre 2019 e março deste ano, Zema também conta com um bom desempenho no Estado para tentar alavancar os números apresentados até o momento por pesquisas de intenção de voto divulgadas na pré-campanha. Zema terá como palanque no Estado o candidato Matheus Simões (PSD), que foi seu vice-governador e assumiu o governo após a renúncia de Zema, no início deste ano.
Palanques em Minas Gerais
- Lula (PT): Patrus Ananias (PT)
- Flávio Bolsonaro (PL): indefinido
- Romeu Zema (Novo): Matheus Simões (PSD)
O papel estratégico de Minas Gerais
Minas Gerais tem cerca de 16,4 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, atrás apenas de São Paulo, e responde por aproximadamente 10% do eleitorado brasileiro. O estado também possui a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, com 53 parlamentares. Todo esse peso do estado amplia a importância da disputa no território mineiro para os partidos.
Além disso, há ainda o componente da tradição. Desde 1998, ano em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passa a oferecer dados detalhados de votação por estados, o candidato que obtém a maioria de votos em Minas Gerais vence a eleição presidencial.
Nas últimas três disputas, em 2014, 2018 e 2022, quando foram registradas as disputas mais apertadas, a margem de diferença no resultado em Minas Gerais ficou muito próxima da alcançada na votação nacional.
Em 2022, por exemplo, Lula foi eleito com 50,9% dos votos no país, e recebeu margem muito próxima, de 50,2%, entre eleitores de Minas Gerais.
Embora não se trate de uma máxima científica, o papel didático das corridas eleitorais em Minas Gerais é atribuído às próprias características geográficas e populacionais do estado mineiro. A região Nordeste do Estado tem comportamento eleitoral semelhante ao do Nordeste brasileiro, enquanto o eleitorado do Sul do Estado fica mais próximo da posição eleitoral de São Paulo e dos estados do Sudeste e do Sul.
Resultados das últimas eleições
2022 | 2º turno
- Minas Gerais — Lula (PT): 50,2% | Jair Bolsonaro (PL): 49,8%
- Brasil — Lula (PT): 50,9% | Jair Bolsonaro (PL): 49,1%
2018 | 2º turno
- Minas Gerais — Jair Bolsonaro (PL): 58,2% | Fernando Haddad (PT): 41,8%
- Brasil — Jair Bolsonaro (PL): 55,1% | Fernando Haddad (PT): 44,9%
2014 | 2º turno
- Minas Gerais — Dilma Rousseff (PT): 52,4% | Aécio Neves (PSDB): 47,6%
- Brasil — Dilma Rousseff (PT): 51,6% | Aécio Neves (PSDB): 48,4%
2010 | 2º turno
- Minas Gerais — Dilma Rousseff (PT): 58,4% | José Serra (PSDB): 41,5%
- Brasil — Dilma Rousseff (PT): 56% | José Serra (PSDB): 44%
2006 | 2º turno
- Minas Gerais — Lula (PT): 65,2% | Geraldo Alckmin (PSDB): 38,4%
- Brasil — Lula (PT): 60,8% | Geraldo Alckmin (PSDB): 39,2%
2002 | 2º turno
- Minas Gerais — Lula (PT): 66,4% | José Serra (PSDB): 33,5%
- Brasil — Lula (PT): 61,3% | José Serra (PSDB): 38,7%
1998 | 1º turno
- Minas Gerais — Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 55,7% | Lula (PT): 28% | Ciro Gomes (PPS): 11,6%
- Brasil — Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 53% | Lula (PT): 31,7% | Ciro Gomes (PPS): 10,9%













