Em meio à nova onda de deputados de direita eleitos em Santa Catarina nas Eleições 2026, o bloco de esquerda que apoiou o presidente Lula elegeu três deputados federais, um a mais do que o alcançado em 2022. A cadeira extra da federação formada por PT, PCdoB e PV coube a um novo nome do campo progressista de SC: a atual vereadora de Criciúma Giovana Mondardo (PCdoB), que recebeu 114,7 mil votos.
Primeiro nome da história do partido a se tornar deputada federal em SC, Giovana chega à Câmara dos Deputados na sua segunda tentativa, após bater na trave em 2022. Na ocasião, recebeu 38,8 mil votos e foi a quarta mais votada do partido, que conquistou duas vagas.
Na campanha de 2026, Giovana Mondardo explorou uma imagem de candidata “anti-Júlia Zanatta”. Com base em Criciúma, mesma cidade da deputada federal mais votada este anoem SC, mas posicionamento político oposto, a vereadora lembrou de processos sofridos pela bolsonarista nos últimos anos e explorou até um jingle, afirmando ser “o terror da tiarinha”, em alusão ao acessório florido usado no cabelo por Júlia Zanatta.
Deputada “anti-Zanatta”
Questionada sobre o tema, Giovana afirma que essa identidade surgiu de maneira espontânea, em razão de as duas terem origens semelhantes, mas posições políticas antagônicas. A primeira rusga surgiu em 2020, quando Giovana estreou na política concorrendo a vereadora e foi alvo de um processo de Júlia Zanatta, que disputou a prefeitura de Criciúma pelo PL. A partir daí, criou-se uma oposição política.
“Acho que estar nesse patamar de ser o contraponto tem muito peso. Combater uma deputada extremista é o que todo mundo que é minimamente democrata deveria fazer, e eu assumi isso sem medo de ousar, e sem medo de encarar e enfrentar isso no Congresso Nacional. Por isso que eu estou disposta a continuar esse trabalho lá”, adianta.
Mas a campanha de Giovana Mondardo foi além da construção de imagem de “anti-Zanatta”. Cirurgiã-dentista e professora universitária, Giovana tem mestrado em Saúde Coletiva e histórico de atuação no serviço público. Líder estudantil e participante de movimentos de mulheres, ela decidiu entrar na política ao perceber a falta de representação feminina na Câmara de Criciúma. Candidata pela primeira vez em 2020, foi a segunda mais votada na cidade. Em 2022, concorreu a deputada federal para ajudar o partido, mas ao chegar perto da vaga, passou a se preparar para tentar novamente nas eleições deste ano.
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Preparação para se tornar federal
Giovana se reelegeu vereadora como a mais votada da cidade em 2024, e então passou a construir nova candidatura a deputada federal em 2026. Visitou outras cidades catarinenses para conhecer demandas das regiões, gesto que refletiu em uma votação mais distribuída em SC. Foram 16 mil votos em Criciúma, sua base eleitoral, e outros 16 mil votos em Florianópolis. O resultado surpreendeu até mesmo a equipe da candidata.
“Queria passar uma mensagem política primeiro de presença, de relação com os problemas do estado, do Brasil, mas também de esperança, de inovação e da possibilidade de levar alguém jovem para a Câmara Federal. E acompanhei feliz ontem o resultado. Eu tinha trabalhado para ser a terceira da chapa, mas eu esperava fazer 70 mil votos e fizemos 114 mil, foi muita coisa”, conta a agora deputada eleita.
Giovana participa da organização da Parada da Diversidade em Criciúma e conta que escolheu o PCdoB por identificação com o projeto nacional de desenvolvimento que o partido defende no campo econômico. Ex-estudante por meio de programas como o Fies, ela defende as políticas sociais e antecipa bandeiras que pretende defender em Brasília.
“Sou fruto dessas políticas públicas de expansão do ensino universitário, ensino superior, e levo essa intransigência das injustiças e das desigualdades comigo sempre a partir da minha atuação política”, defende.
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Força nas redes sociais
Com 161 mil seguidores na rede social Instagram, Giovana Mondardo vê na comunicação digital uma ferramenta fundamental para a atividade política. Ela se considera uma política “nativa digital” e diz que a atenção às redes começou logo na entrada na política, em 2020. Pré-candidata em um contexto de pandemia de Covid-19, ela usava o Instagram para fazer lives informativas com especialistas esclarecendo dúvidas sobre a doença e desmentindo informações falsas, além de divulgar artigos atualizados sobre o combate ao vírus.
A noção do peso das redes sociais na política permaneceu presente no trabalho da deputada eleita de esquerda, campo em que a comunicação digital é apontado como uma carência. Na avaliação dela, essa habilidade foi um dos pontos que contribuíram com a vitória eleitoral deste domingo.
“Ainda estou amadurecendo, elaborando [o que levou ao resultado], mas tem algumas coisas que são intangíveis a respeito disso, que é, por exemplo, a combatividade. Conseguir ser contraponto de uma extrema-direita intolerante em Santa Catarina, conseguir vocalizar isso em uma linguagem das mídias sociais, que são fundamentais para a disputa de narrativa na alta política de hoje, e termos um sentimento de renovação muito grande”, avalia.
Questionada sobre como será a convivência com a deputada federal Júlia Zanatta agora não só em Criciúma, mas também em Brasília, Giovana dá uma pista.
“Ah, vai ser tranquilo. Da minha parte, tranquilidade, mas não espere passividade. Vou assumir esse papel de ‘terror da tiarinha’”, promete a deputada eleita.

















































