Bebê de 1 mês morre durante transferência entre hospitais de SC e pais buscam respostas

Pais relatam falta de vaga em UTI pediátrica e questionam equipamentos usados no transporte; Secretaria de Saúde afirma que ambulância tinha todos os insumos necessários e diz que caso é apurado

Compartilhe:
Central de Regulação de Urgência funciona 24 horas por dia (Foto: Secom SC, Divulgação)

Bebê de 1 mês morreu durante transferência de Chapecó para Concórdia (Foto: Secom SC, Divulgação)

A morte de um bebê de apenas 1 mês durante uma transferência hospitalar entre Chapecó e Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, é questionada pelos pais, que alegam falta de leito de UTI pediátrica e de equipamentos adequados para o transporte. O caso ocorreu em 20 de julho, quando a criança era levada para atendimento especializado após apresentar piora no quadro de saúde.

Continua após a publicidade

Bebê precisou ser internado

Segundo os pais, o bebê havia completado um mês de vida no dia 18 de julho. Após apresentar sintomas semelhantes a um resfriado e dificuldade para respirar, ele foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento e, posteriormente, ao Hospital da Criança, em Chapecó. Conforme o relato da família, em entrevista a NSC TV, inicialmente foi orientada a realização de nebulização em casa durante um dia, mas não houve melhora.

A criança retornou ao Hospital da Criança e foi internada no dia 19 de julho. Ainda segundo os pais, a equipe médica informou que seria necessária uma vaga em UTI pediátrica, mas não havia leito disponível em Chapecó. Por isso, foi indicada a transferência para um hospital de Concórdia.

Continua após a publicidade

Morte aconteceu durante transferência

A transferência ocorreu no dia 20 de julho. De acordo com os pais, o transporte não teria sido realizado em uma incubadora ou UTI móvel, mas em uma maca de adulto. Durante o trajeto pela SC-155, na altura de Xavantina, o estado de saúde do bebê teria piorado.

Ainda conforme o relato da família, uma segunda ambulância foi acionada para prestar apoio durante o deslocamento, mas a criança morreu no local. Os pais questionam a necessidade do acionamento de outro veículo e afirmam ter dúvidas sobre a disponibilidade de equipamentos e medicamentos durante o atendimento. A família procurou a NSC TV para relatar o caso e pedir esclarecimentos sobre o atendimento prestado.

Secretaria de Saúde contesta falta de equipamentos

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o transporte foi realizado pelo SAMU e que a unidade de suporte avançado responsável pelo atendimento dispunha de todos os insumos e equipamentos necessários, não havendo falta ou ausência de medicamentos, equipamentos ou outros materiais.

A pasta explicou ainda que as técnicas de transporte de crianças em unidades móveis, terrestres ou aéreas, levam em consideração fatores como peso, idade e dados clínicos dos pacientes. As circunstâncias do atendimento estão sendo apuradas pelo SAMU/FAHECE.

Continua após a publicidade

Sobre a disponibilidade de leitos, a Secretaria de Estado da Saúde informou que a região do Grande Oeste recebeu recentemente cinco novos leitos de UTI pediátrica e quatro de suporte ventilatório. A estrutura se soma aos 20 leitos de UTI neonatal e cinco leitos pediátricos que já estavam disponíveis na região.

Segundo a pasta, as transferências entre unidades hospitalares têm como objetivo direcionar os pacientes de acordo com as condições necessárias para cada caso, buscando garantir a assistência adequada. A Secretaria não informou, na nota encaminhada à reportagem, detalhes específicos sobre a disponibilidade de leito no momento em que a transferência do bebê foi realizada.

Confira a nota na integra:

A Secretaria de Estado da Saúde, informa que o transporte foi realizado pelo SAMU, sendo que a unidade de suporte avançado que atendeu o paciente dispunha de todos os insumos e equipamentos necessários para o atendimento, não havendo qualquer tipo de falta ou ausência de medicamentos, equipamentos e demais insumos.

As técnicas de transporte de crianças em unidades móveis, sejam elas terrestres ou aéreas, levam em consideração, peso, idade e dados clínicos dos pacientes. As circunstâncias do atendimento estão sendo apuradas pelo SAMU/FAHECE.

​Quanto aos leitos, a região do Grande Oeste teve a incorporação recente de mais 5 leitos de UTI pediátrica, 4 de suporte ventilatório, além dos outros 20 leitos de UTI neonatal e 5 leitos pediátricos já existentes. Transferência entre unidades visam alocar os pacientes de acordo com as melhores condições possíveis que cada caso requer, visando sempre garantir a melhor assistência possível.