É grave ter arritmia cardíaca? Entenda o problema que levou André Janones à UTI

Deputado foi internado em São Paulo após o debate da Band; especialistas explicam quando a alteração no ritmo do coração exige atenção imediata

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Arritmia como a de André Janones é grave? O que dizem os médicos sobre o coração fora do ritmo. (Foto: Reprodução)

O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi internado com arritmia cardíaca na madrugada desta segunda-feira (19), na UTI do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, e também apresentava falta de ar ao chegar ao hospital, por volta das 2h. Antes da internação, ele havia acompanhado o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na Rede Bandeirantes. Segundo as informações divulgadas, o parlamentar está clinicamente estável, sob monitoramento cardíaco contínuo, aos cuidados da cardiologista Ludhmila Hajjar.

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Até a publicação desta reportagem, o hospital não havia divulgado boletim médico, e o tipo de arritmia não foi informado. Mas o caso levanta uma dúvida comum: afinal, ter arritmia é grave?

Veja fotos de André Janones

O que é arritmia cardíaca

Arritmia é qualquer alteração no ritmo dos batimentos. O tema foi tratado em um episódio do DrauzioCast, em que o médico Drauzio Varella recebe o cardiologista Alexsandro Alves Fagundes, então presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Segundo a apresentação do episódio, na arritmia o coração pode bater rápido demais (taquicardia), devagar demais (bradicardia) ou de forma irregular, e os quadros são classificados conforme a origem e as características da irregularidade.

Segundo o cardiologista, “a pessoa pode ter arritmias muito grave sem sintomas como pode ter muitos sintomas com poucas manifestações arrítmicas”. “Quando a gente começa a falar de arritmias graves, de arritmias potencialmente perigosas, na maioria das vezes são pessoas com doenças predisponentes”, disse o médico.

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Como referência, em adultos em repouso, a frequência cardíaca normal fica entre 60 e 100 batimentos por minuto, embora valores menores sejam comuns em pessoas jovens e com bom condicionamento físico.

Arritmia é sempre grave?

Não. Existem vários tipos: algumas arritmias são benignas, enquanto outras podem ser graves e até ameaçar a vida. Os batimentos “extras” que ocorrem antes do tempo, chamados de extrassístoles, estão entre os tipos mais frequentes e muitas vezes não causam dano.

Na outra ponta estão as arritmias que comprometem o bombeamento de sangue. A taquicardia ventricular é considerada a forma mais perigosa, por estar associada à parada cardíaca. Por isso, a gravidade depende da origem, do tipo e da intensidade do quadro, e só exames como o eletrocardiograma conseguem definir o diagnóstico.

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Um problema mais comum do que parece

Segundo a SOBRAC, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de arritmia, e a entidade estima que a condição seja responsável por mais de 320 mil mortes súbitas por ano no país. A sociedade também calcula que uma em cada quatro pessoas terá arritmia ao longo da vida.

A causa mais comum é uma doença do próprio coração, especialmente problemas nas artérias coronárias, nas válvulas e a insuficiência cardíaca. Em alguns casos, porém, não é possível identificar a causa.

Sintomas que exigem atenção

Palpitações, tontura e cansaço são queixas frequentes e podem afetar a qualidade de vida mesmo nos casos menos severos. O sinal de alerta aparece quando o ritmo alterado vem acompanhado de falta de ar, dor no peito, tontura forte ou desmaio, situações que pedem atendimento de emergência.

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Nem toda palpitação é arritmia. A orientação dos cardiologistas é procurar um especialista para saber se o sintoma tem relação com o ritmo do coração e se precisa de tratamento.

Tem tratamento?

Sim. O tratamento varia de simples monitoramento até procedimentos como a ablação cardíaca ou o implante de marcapasso. Com os avanços dos últimos anos, muitos pacientes com arritmia levam uma vida praticamente normal, desde que mantenham acompanhamento constante.

Veja também: “Cansaço tá bem forte”: André Janones reclamou de exaustão antes de ser internado na UTI com arritmia cardíaca.