A influenciadora catarinense Isabella Scherer, de 30 anos e grávida do terceiro filho, afirmou nas redes sociais que foi diagnosticada com toxoplasmose no início da gestação. Em Santa Catarina, cerca de 150 gestantes já receberam esse mesmo diagnóstico em 2026, segundo informações da Secretaria de Saúde do Estado.
Afetando um a cada três brasileiros, a toxoplasmose é uma das infecções mais comuns no país, de acordo com dados do Instituto Adolfo Lutz. Em Santa Catarina, desde 2024, mais de 800 casos foram registrados no Estado, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado.
Doença é perigosa na gravidez
Nas redes sociais, a influenciadora contou detalhes sobre a infecção, que não costuma causar sintomas, mas pode provocar um quadro semelhante ao de uma virose. Ela é ainda mais perigosa durante a gravidez, pelo risco de transmissão para o bebê.
Segundo Carla Celestrino Arca, ginecologista e obstetra, a placenta funciona como uma barreira natural e, se a doença for identificada precocemente, o tratamento ajuda a reduzir as chances de transmissão da infecção.
— A mulher entrar em contato com o toxoplasma não significa que ela vai se infectar e, se ela se infectar, nem sempre o bebê também é acometido. Muitas vezes a placenta funciona como um filtro contra infecções e, quando identificamos a doença cedo, conseguimos reduzir a transmissão com medicamentos. Mesmo quando isso não é possível, existe tratamento para o bebê— afirmou a profissional ao g1.
O que é a toxoplasmose
A infecção causada protozoário Toxoplasma gondii pode ser transmitida pelo consumo de carne crua ou malpassada, água, frutas e verduras contaminadas ou pelo contato com solo que contenha fezes de gatos infectados.
A maiorias dos infectados não apresenta sintomas, mas quando isso ocorre, os sintomas incluem febre, cansaço, dores musculares, mal-estar e aumento dos gânglios, principalmente no pescoço. Como na maioria das vezes, a infecção não contém sintomas, o diagnóstico em gestantes depende principalmente dos exames de rotina do pré-natal.
Como acontece a transmissão?
A transmissão nem sempre ocorre pelo contato direto com gatos. Depois de eliminado nas fezes de felinos infectados, o parasita pode permanecer no ambiente e contaminar o solo, chegando em frutas, verduras e legumes cultivados em contato com a terra.
Além disso, a animais de criação, como bois, porcos e galinhas, podem ingerir alimento contaminado. Quando a carne é consumida crua ou malpassada, o ciclo de transmissão pode alcançar os seres humanos.
Por isso, durante a gravidez, as principais recomendações são:
- Não consumir carne crua ou malpassada;
- Lavar cuidadosamente frutas, verduras e legumes;
- Higienizar as mãos após manipular alimentos crus;
- Usar luvas ao mexer com terra ou jardinagem.
O que doença pode causar no bebê?
Se o bebê for infectado, a doença pode provocar complicações importantes, como alterações oculares e neurológicas. Por isso, identificar a toxoplasmose precocemente permite iniciar o tratamento e diminuir o risco de transmissão para o feto.
A maioria dos recém-nascidos com toxoplasmose congênita não apresenta sinais clínicos evidentes ao nascimento, de acordo com o Ministério da Saúde. No entanto, o exame clínico pode apresentar alterações como restrição do crescimento intrauterino, prematuridade, anormalidades visuais e neurológicas.
Sequelas tardias são mais frequentes na toxoplasmose congênita (de mãe para filho durante a gestação) não tratada. Há casos relatados de surgimento de sequelas da doença, não diagnosticadas previamente, que surgiram apenas na adolescência ou na idade adulta.
Os recém-nascidos que apresentam manifestações clínicas podem ter sinais no período neonatal ou nos primeiros meses de vida, de acordo com o Ministério da Saúde. Esses casos podem ter sequelas graves, como acometimento visual em graus variados, acometimento mental, alterações motoras e perda auditiva.
Nos casos em que há suspeita ou confirmação de infecção, a equipe médica indica uma amniocentese para pesquisar o parasita no líquido amniótico. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, o exame deve ser realizado após a 18ª semana de gestação em até pelo menos quatro semanas depois da provável infecção.
Se houver a confirmação, o esquema terapêutico deve ser ajustado com medicamentos específicos. Caso contrário, a mãe segue o tratamento inicial até o fim da gravidez. No caso da influenciador Isabella, o exame mostrou que o bebê não havia sido contaminado.
Como é o tratamento
A toxoplasmose normalmente evolui sem sequelas em pessoas com imunidade adequada, sendo assim, o tratamento específico não é recomendado, sendo necessário realizar apenas o tratamento para combater os sintomas. Pacientes com imunidade comprometida ou que já tenham desenvolvido complicações da doença são encaminhados para acompanhamento médico especializado.
O tratamento e acompanhamento da doença estão disponíveis, de forma integral e gratuita, no Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de infecção na gravidez, o ideal é realizar o acompanhamento no pré-natal e seguir as orientações que forem repassadas pelas equipes de saúde.





