Novo remédio aprovado nos EUA pode preservar músculos durante uso de canetas para emagrecer

Aprovado nos EUA para atrofia muscular espinhal, apitegromabe está sendo estudado em combinação com medicamentos como Mounjaro para preservar massa magra durante o emagrecimento

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Novo remédio aprovado nos EUA pode preservar músculos durante uso de canetas para emagrecer

Novo medicamento aprovado nos EUA para combater a perda muscular também é estudado para preservar massa magra durante o emagrecimento. (Foto: Banco de imagens)

A perda de massa muscular durante o emagrecimento pode estar prestes a ganhar uma nova estratégia de combate. A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou na última sexta-feira (11) o apitegromabe, primeiro tratamento para atrofia muscular espinhal (AME) desenvolvido para atuar diretamente sobre a perda de músculo.

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Com o nome comercial Isembyld, o medicamento da farmacêutica Scholar Rock é um anticorpo monoclonal que bloqueia a ação da miostatina, proteína que funciona como um “freio” do crescimento muscular. A aprovação para AME, porém, não significa que o remédio esteja autorizado para tratar obesidade.

A possibilidade de preservar a massa muscular durante o uso de medicamentos para emagrecer é justamente o que a farmacêutica passou a investigar. O apitegromabe já foi avaliado em combinação com a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, em adultos com sobrepeso ou obesidade.

O que é o Mounjaro e como ele funciona?

“A aprovação do primeiro inibidor da miostatina abre caminho para uma nova abordagem da obesidade, em que o objetivo deixa de ser apenas o número na balança e passa a ser a composição do corpo: perder gordura e preservar músculo”, afirma o endocrinologista Ramon Marcelino, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês.

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Como o medicamento age?

A miostatina ajuda a limitar o crescimento dos músculos. Ela reduz a produção de novas proteínas musculares, favorece a degradação das já existentes e interfere na atividade das células responsáveis pela reparação e pelo crescimento muscular.

O apitegromabe atua justamente nesse mecanismo. O medicamento se liga à forma ainda inativa da miostatina e impede que ela seja ativada. A lógica se inspira, em parte, no que acontece com animais que naturalmente apresentam pouca ou nenhuma miostatina e desenvolvem musculatura acima do habitual.

A primeira indicação aprovada do Isembyld é para pacientes adultos e pediátricos a partir de 2 anos com AME que também estejam recebendo tratamento direcionado ao gene SMN2.

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A AME é uma doença genética rara que afeta os neurônios motores, responsáveis por levar aos músculos os sinais para a contração. A doença é causada por alterações no gene SMN1, que resulta na deficiência de uma proteína essencial para a sobrevivência dessas células nervosas.

Os tratamentos já disponíveis atuam principalmente no sistema relacionado ao SMN2 e melhoraram os resultados de muitos pacientes. Ainda assim, pessoas com a doença em estágios mais avançados podem apresentar limitações motoras importantes, o que motivou a busca por terapias que também atuem diretamente nos músculos.

Em um estudo de 52 semanas com 188 participantes de 2 a 21 anos, todos já tratados com uma terapia direcionada ao SMN2, pacientes que receberam apitegromabe apresentaram melhora na função motora em comparação ao grupo placebo. Na análise principal, realizada com 156 participantes de 2 a 12 anos, a probabilidade de melhora clinicamente significativa foi mais de duas vezes maior entre os pacientes que receberam a dose de 10 mg/kg.

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Entre as reações adversas mais comuns estavam infecções do trato respiratório superior, vômitos, tosse, infecções virais, dor de cabeça, gastroenterite e faringite. Também foi observado aumento do risco de fraturas, inclusive graves.

O que muda para quem usa canetas para emagrecer?

O potencial do apitegromabe para preservar músculos durante o emagrecimento foi investigado em um estudo de fase 2 publicado na Nature Medicine. Participaram 102 adultos com sobrepeso ou obesidade, divididos entre grupos que receberam tirzepatida combinada com apitegromabe ou tirzepatida e placebo durante 24 semanas.

A perda total de peso foi semelhante entre os grupos. A diferença apareceu na composição dessa perda: entre os participantes que receberam apitegromabe, apenas 14,6% do peso perdido correspondia à massa magra, contra 30,2% no grupo placebo.

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No total, quem recebeu o apitegromabe perdeu 1,9 kg menos de massa magra, o que representou uma retenção 54,9% maior. Apesar dos resultados, trata-se de um estudo de fase 2, e o medicamento ainda precisa passar por estudos de fase 3 para que sua eficácia e segurança nesse contexto sejam avaliadas em uma escala maior.

Por isso, o apitegromabe ainda não tem indicação aprovada para obesidade pela FDA ou pela Anvisa. O uso para essa finalidade seria considerado off-label e não deve ser confundido com uma indicação regulatória.

“Não há, neste momento, nenhuma indicação aprovada de inibidores de miostatina para obesidade, e o uso fora da bula, sem estudos que comprovem segurança, não é recomendado”, alerta Marcelino.

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O custo também pode ser uma barreira. Segundo a Reuters, o tratamento com Isembyld deve custar cerca de US$ 310 mil por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 1,7 milhão.

O apitegromabe não é o único medicamento estudado com esse objetivo. O bimagrumabe também vem sendo pesquisado para preservar a massa muscular durante o emagrecimento. Em resultados de fase 2 publicados na Nature Medicine, a combinação com semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, esteve associada a uma perda de 22,1% do peso após 72 semanas, com menos de 10% dessa redução atribuída à massa muscular.

*Com informações do O Globo