A poluição emitida por carros, ônibus e caminhões provocou 8 mil mortes prematuras no Brasil em 2024 e gerou 9,2 mil novos diagnósticos de asma em crianças no mesmo ano. Os dados colocam o país na 17ª posição no ranking mundial de óbitos causados por gases de escapamento. De acordo com o relatório Health Benefits of Zero-Emission Transport Through 2050 (Benefícios para a Saúde do Transporte de Emissão Zero Até 2050), publicado pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), o volume de mortes no território nacional pode subir 47% até 2050 caso a frota atual de combustíveis fósseis seja mantida, enquanto a transição para veículos de emissão zero tem potencial para cortar essas mortes em 63%.
A pesquisa do ICCT considera uma expansão de 30% na frota de veículos em circulação no Brasil nos próximos 25 anos. A manutenção de motores a diesel e gasolina amplia a queima de combustíveis e lança na atmosfera grandes quantidades de material particulado e gases tóxicos. O contato frequente com essas substâncias está diretamente associado ao surgimento e ao agravamento de doenças graves na população, como câncer de pulmão, infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Impacto da poluição do tráfego nos grandes centros urbanos
O impacto dos poluentes atinge de forma direta as pessoas que circulam por vias de grande tráfego. Em escala global, o estudo do ICCT calcula que os gases veiculares provocam uma morte prematura a cada 45 segundos e um novo caso de asma infantil a cada dois minutos. Sem a adoção de metas rigorosas para conter essas emissões, a estimativa global aponta para uma alta de 74% nas mortes prematuras até a metade do século.
Nas cidades brasileiras, os veículos pesados representam a maior fonte do problema. Embora circulem em quantidade menor do que os carros de passeio, caminhões e ônibus movidos a diesel respondem pela maior parte da fuligem e dos gases tóxicos liberados na atmosfera urbana.
Transição para frota elétrica e redução de custos no SUS
A reversão desse quadro depende da velocidade com que o transporte público e a logística de carga substituírem motores a combustão por modelos elétricos. De acordo com os dados do ICCT, a adoção completa de veículos de emissão zero até 2050 compensaria o aumento do tráfego e o crescimento populacional previstos para o período, reduzindo as mortes prematuras no Brasil em 63% e os casos de asma em crianças em 80%.
A prioridade apontada pelos pesquisadores é a substituição progressiva da frota de transporte coletivo por ônibus elétricos nas capitais e regiões metropolitanas. A medida reduz a circulação de poluentes no ar, alivia a pressão e os custos do sistema de saúde pública com internações e tratamentos respiratórios e determina a qualidade de vida nos centros urbanos nas próximas décadas.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.
