Violência na Enfermagem em SC já afetou 3 em cada 4 profissionais e maioria não se sente segura no trabalho

Conselho Regional de Enfermagem realizou pesquisa com mais de 2,2 mil profissionais; dados foram divulgados nesta segunda-feira (17) e trazem cenário preocupante

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Violência na Enfermagem: pesquisa aponta que 3 em cada 4 profissionais de SC já sofreram algum episódio de violência (Foto: Banco de imagens)

Um levantamento com mais de 2,2 mil profissionais de Enfermagem de Santa Catarina apontou que 74,8% dos participantes afirmam já ter sofrido algum tipo de violência no exercício da profissão. Os dados foram divulgados pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SC) nesta segunda-feira (17).

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A pesquisa ocorreu entre 3 e 12 de agosto, de forma anônima, e buscou produzir dados que possam embasar ações de prevenção e fortalecer políticas de proteção aos profissionais. Na avaliação do Coren, o cenário é preocupante.

Além do alto percentual de violência, 57,8% dos profissionais disseram não se sentir seguros no ambiente de trabalho. Para a presidente do Coren-SC, Maristela Azevedo, o levantamento permite transformar uma realidade em dados concretos sobre o cenário catarinense.

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A pesquisa foi pensada justamente para que tivéssemos dados fidedignos e pudéssemos falar com clareza sobre o que realmente acontece em Santa Catarina. É um tema recorrente e que preocupa muito o Conselho, especialmente porque estamos falando da segurança de profissionais que saem de casa todos os dias para cuidar e salvar vidas.

Violência psicológica e moral aparece em 96,6% dos relatos dos profissionais da Enfermagem

Entre os profissionais que afirmaram já ter sofrido violência, 96,6% relataram episódios de violência moral ou psicológica. A violência física foi apontada por 18,6%, enquanto 7,3% relataram violência sexual. Também foram registradas outras situações, incluindo racismo, injúria racial e xenofobia. Os participantes puderam indicar mais de um tipo de violência.

Entre aqueles que já foram vítimas, 73,5% disseram ter sofrido violência mais de uma vez, ainda que sem recorrência definida, e 15,9% afirmaram sofrer violências periodicamente. Apenas 10,6% relataram um único episódio. A pesquisa também aponta que 23,3% dos profissionais relataram terem se afastado do trabalho por conta de uma violência sofrida.

“Quando quase a totalidade dos profissionais que sofreram violência aponta situações de caráter moral ou psicológico, precisamos olhar com muita atenção para aquilo que muitas vezes não deixa uma marca física, mas afeta profundamente o trabalhador”, reforça Maristela.

Subnotificação de casos de violência na Enfermagem é desafio

A ausência de registros formais dificulta a compreensão da dimensão do problema e, consequentemente, a construção de medidas de prevenção e proteção. Segundo a pesquisa, apenas 36,7% dos profissionais que sofreram algum tipo de violência fez registro formal do ocorrido.

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O Coren-SC orienta que profissionais vítimas de violência registrem boletim de ocorrência e procurem os canais institucionais disponíveis. O Conselho também pode ser acionado por seus canais de atendimento e pela Ouvidoria.

Entre os instrumentos disponibilizados está o desagravo público, mecanismo institucional de defesa do profissional de Enfermagem diante de situações relacionadas ao exercício da profissão. O Coren-SC também atua por meio de manifestações institucionais e da interlocução com gestores.

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Coren-SC defende medidas de proteção aos profissionais

Para o Coren-SC, o enfrentamento da violência contra a Enfermagem deve ocorrer em diferentes frentes. Além da responsabilização dos agressores, é necessário avançar em segurança institucional, canais de atendimento aos trabalhadores, mecanismos de alerta, apoio psicológico e melhores condições de trabalho.

Maristela destaca ainda que fatores como dimensionamento inadequado das equipes, falta de insumos, estruturas de trabalho defasadas e sobrecarga profissional contribuem para ambientes mais tensionados. 

Todos nós sabemos da angústia de quem procura um serviço de saúde em um momento de doença. Nosso trabalho é prestar uma assistência segura, qualificada e ética. Mas o profissional de Enfermagem também precisa se sentir seguro dentro da sua unidade de trabalho para exercer esse cuidado.