Caso Karize: acusado de matar advogada asfixiada com corda e ocultar corpo vai a júri em SC

Karize Fernandes, de 33 anos, foi morta em setembro de 2024; acusado responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver

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Restos mortais de Karize foram encontrados pela polícia no dia 8 de novembro, em Palmas, no Paraná (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

Quase dois anos depois da morte da advogada Karize Ana Fagundes Lemos, de 33 anos, o caso chega a uma nova etapa nesta semana. O homem acusado pelo crime será julgado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (10), em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A sessão está marcada para começar às 7h30, no Salão do Tribunal do Júri do Fórum da comarca.

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O processo tramita em segredo de Justiça. O réu responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A decisão que o levou a julgamento popular apontou a existência de indícios suficientes de autoria e provas da materialidade do crime.

A sessão desta quinta-feira será, portanto, o principal novo capítulo de um caso que mobilizou a polícia, familiares, amigos e a comunidade de Caçador desde o desaparecimento da advogada, em setembro de 2024.

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O que diz a acusação

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime aconteceu entre os dias 28 e 29 de setembro de 2024, na residência onde Karize e o acusado moravam, no bairro Gioppo, em Caçador.

A acusação sustenta que a advogada foi asfixiada com uma corda de sisal. Conforme os elementos apresentados pelo Ministério Público, o crime teria sido motivado por ciúmes e sentimento de posse.

Ainda segundo a denúncia, Karize estava se recuperando de um procedimento cirúrgico e apresentava a saúde debilitada, circunstância que, de acordo com a acusação, teria reduzido sua capacidade de reação e defesa.

O homicídio foi inicialmente denunciado com qualificadoras relacionadas ao feminicídio, motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da acusação de ocultação de cadáver. Como o crime ocorreu antes da entrada em vigor da lei que transformou o feminicídio em crime autônomo, a acusação considera o feminicídio como qualificadora do homicídio.

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Corpo foi encontrado mais de um mês depois

Um dos pontos que mais marcou a investigação foi o tempo entre o desaparecimento e a localização dos restos mortais.

Karize desapareceu no fim de setembro de 2024. Os restos mortais foram encontrados somente em 8 de novembro, em uma área de mata nas proximidades de Palmas, no Paraná. A localização ocorreu após o trabalho de investigação da Polícia Civil de Santa Catarina.

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Na época, os delegados responsáveis pelo caso explicaram que foram encontrados materiais que indicavam fortemente que os restos eram de Karize, mas a confirmação dependeria dos exames periciais. Posteriormente, a Polícia Civil confirmou oficialmente a identidade da vítima.

Investigação utilizou provas digitais

A investigação reuniu diferentes elementos para reconstruir o que aconteceu após o crime.

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Segundo informações divulgadas no processo, dados extraídos de dispositivos eletrônicos, mensagens, áudios, imagens e registros de geolocalização ajudaram os investigadores a identificar o trajeto feito depois da morte e chegar ao local onde o corpo havia sido ocultado.

O acusado foi preso no dia 30 de setembro de 2024, em Guaíra, no Paraná. Conforme as informações da investigação, ele estava com pertences que pertenciam à advogada.

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Durante a fase inicial do caso, a Polícia Civil também encontrou vestígios de sangue no veículo e na residência onde o crime teria ocorrido.

Polícia chegou a investigar uma segunda possível vítima

Logo após a prisão do suspeito, surgiu a informação de que ele teria relatado a amigos, por meio de uma ligação em grupo de WhatsApp, que havia matado Karize e um suposto amante dela.

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A Polícia Civil, porém, não confirmou a existência de uma segunda vítima. Durante a investigação, os delegados responsáveis pelo caso chegaram a afirmar que não havia elementos que comprovassem esse segundo homicídio.

A apuração posteriormente se concentrou na morte de Karize e na ocultação do corpo.

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Como será o júri

A sessão está marcada para quinta-feira (10), a partir das 7h30, no Salão do Tribunal do Júri do Fórum de Caçador.

Por causa da capacidade limitada do espaço, parte dos assentos será reservada aos familiares da vítima e do réu. As demais vagas serão disponibilizadas ao público e à imprensa, respeitando a lotação máxima do plenário.

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A orientação divulgada pelo Fórum é de que o acesso será controlado e haverá detector de metais na entrada. Para a imprensa, equipamentos deverão ser apresentados para inspeção.

Relembre o caso

Karize Ana Fagundes Lemos tinha 33 anos e era advogada em Caçador. A morte ocorreu dentro da residência onde vivia com o acusado, em setembro de 2024.

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Após o crime, o corpo foi levado para o Paraná e permaneceu oculto em uma área de mata até ser localizado mais de um mês depois. A confirmação da morte encerrou um período de angústia vivido por familiares e amigos, que durante semanas não tinham informações sobre o paradeiro da advogada.

A OAB de Santa Catarina acompanhou o caso desde o início e classificou Karize como vítima de feminicídio, cobrando a responsabilização pelo crime. Agora, caberá aos jurados analisar as provas apresentadas durante o julgamento e decidir sobre a responsabilidade do acusado pelos crimes que constam na denúncia.