Canil clandestino de cão de raça é investigado por maus-tratos e orelhas cortadas em SC

Ao todo, 12 cães em estado de maus-tratos foram encontrados no local

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Uma das mães encontradas em nítido estado de exaustão, conforme delegada (Foto: Tânia Harada, Instagram)

É possível ver a exaustão no rosto e corpo dos cães de raça encontrados em um canil clandestino em Araquari. Cadelas eram usadas como matrizes, sendo submetidas a sucessivas gestações para posterior venda dos filhotes. Ao todo, 12 cães em estado de maus-tratos foram encontrados no local, alguns deles com as orelhas cortadas.

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Uma denúncia anônima levou os fiscais da Fundação Municipal do Meio Ambiente (FUNDEMA) de Araquari até um canil clandestino, no bairro Itinga. A fiscalização realizada na última sexta-feira (12), contou com o apoio da pela Polícia Civil e Polícia Científica, sob a coordenação da delegada Tânia Harada. 

— Matrizes e exaustão. É nítido o desgaste das fêmeas após sucessivas crias em alguns canis que vistoriamos.  Além da questão do espaço insuficiente, havia animais com orelhas cortadas, prática considerada criminosa — publicou a delegada Tânia Harada nas redes sociais.

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Veja fotos dos cães de raça encontrados no canil clandestino

Em Santa Catarina é proibida à criação de cães derivados da raça Pitbull, prática proibida pela Lei Estadual nº 14.204/2007, recentemente reforçada pelo Decreto Estadual nº 1.047/2025, que veda além da criação, também a comercialização e circulação desses animais em Santa Catarina.

O responsável pelo canil foi autuado pela Polícia Civil e notificado pela Fundema, para que realize a castração imediata de todos os animais, além da doação dos filhotes, tendo em vista a proibição expressa de comercialização. Os animais não foram recolhidos, pois a Fundema não possui abrigo público. 

Ainda conforme a Polícia Civil, foram registradas observações sobre a suspeita de câncer mamário em uma das fêmeas e sobre as baias em tamanho inadequado para o porte dos cães. Além disso, foram estabelecidas as seguintes exigências: a castração e microchipagem de todos os animais, bem como a apresentação dos termos de doação dos filhotes.

A Fundação do Meio Ambiente ressalta a importância da comunidade, por meio de denúncias que podem ser feitas de forma anônima pelo whatsapp: (47) 3305-4035. Adoções também podem ser feitas por este mesmo contato.

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“Quem compra animais financia à prática cruel de exploração de matrizes (fêmeas reprodutoras), muitos animais estão disponíveis para adoção. Adote, não compre”, finalizou a Fundema em nota.

Donos de outro canil clandestino, em Joinville, podem pagar multa de quase meio milhão

O caso do canil clandestino, onde foram resgatados mais de 220 cães de raça em condições de maus-tratos, ganhou um novo capítulo em agosto. Pouco mais de um ano após o crime, o Ministério Público pediu em uma ação que os donos do local paguem mais de meio milhão de reais em multa.

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A investigação teve início após a promotoria do Ministério Público receber uma denúncia de que uma grande estrutura, em área de preservação ambiental, estaria sendo usada para a reprodução de animais. A partir disso, o MP e as polícias Civil e Científica realizaram uma operação de resgate em março de 2024.

Como resultado da operação e da gravidade dos fatos, a 21ª Promotoria de Justiça ajuizou uma ação civil pública contra os acusados de manterem um canil clandestino em condições degradantes. Na ação, o Ministério Público pediu o pagamento de indenização por danos aos animais, no valor superior a R$ 715 mil, e por danos morais coletivos, no valor de R$ 50 mil, ambas a serem destinadas ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Estado de Santa Catarina (FRBL). A ação deve tramitar no Tribunal de Justiça.

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Os valores das indenizações foram estabelecidos após perícia que considerou todos os fatos envolvendo os cães resgatados, o local onde estavam, as condições em que foram encontrados, as doenças identificadas e os tratamentos necessários. A avaliação também contemplou aspectos materiais, físicos e emocionais.

Entre os pedidos na Ação Civil Pública (ACP) estão, ainda, a proibição de manter ou operar qualquer atividade envolvendo animais por pelo menos cinco anos, a perda definitiva da guarda dos animais apreendidos e o pagamento de multa diária em caso de descumprimento das obrigações impostas. 

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Em Santa Catarina, o dinheiro proveniente de condenações, multas e acordos judiciais e extrajudiciais por danos causados à coletividade em áreas como meio ambiente, consumidor e patrimônio histórico é revertido ao FRBL. O objetivo principal do fundo é custear projetos que previnam ou recuperem danos sofridos pela coletividade. O FRBL é administrado por um Conselho Gestor é presidido pelo MPSC e composto por representantes de órgãos públicos estaduais e entidades civis. Os representantes de órgãos públicos são permanentes e os de entidades civis são renováveis a cada dois anos, mediante sorteio público.

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