“Somos o grito das que não estão mais aqui”. A frase estampada em um dos cartazes resume o sentimento de estudantes que participaram, na noite desta segunda-feira (10), de um ato em memória de Joviana Evelyn Lankovski, de 19 anos, em frente ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unesc, em Criciúma. A estudante de Ciências Biológicas foi vítima de feminicídio em Sangão, no Sul de Santa Catarina.
Além da homenagem à jovem, a manifestação foi marcada por pedidos pelo fim da violência contra as mulheres. Entre os cartazes levados pelos participantes estavam frases como “Queremos mulheres livres e sem medo” e “A vida começa quando a violência acaba”.
O ato foi organizado pelo DCE da Unesc após a confirmação da morte de Joviana. Em manifestação publicada nesta segunda, a entidade classificou o crime como resultado de uma sociedade que ainda permite que mulheres sejam vítimas de violência, controle e morte.
“Precisamos falar, denunciar e, sobretudo, agir”, afirmou o diretório na nota de convocação para o ato.
A manifestação reuniu estudantes e integrantes da comunidade acadêmica em um momento de solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Joviana. A jovem havia desaparecido na quinta-feira (6) e foi encontrada morta nesta segunda, em uma casa no bairro Santa Apolônia, em Sangão.
Segundo a Polícia Civil, o namorado da estudante confessou o crime e se entregou. O caso é investigado como feminicídio. Conforme o delegado Murilo da Cunha, o casal tinha um relacionamento conturbado e a motivação estaria relacionada a desentendimentos. A perícia ainda trabalha para determinar oficialmente a causa da morte.
Unesc também lamentou morte
A Unesc também publicou uma nota de pesar pela morte da estudante. A universidade manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas e afirmou que não compactua com qualquer tipo de violência.
A instituição destacou ainda o programa Unesc Com Elas, lançado em maio deste ano com ações de acolhimento, conscientização, prevenção e combate à violência contra a mulher na comunidade acadêmica.
O que diz a defesa do suspeito
A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.
Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.
O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.
É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.
A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.
José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.
A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.
Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.
A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.
Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas.José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.

