Caso da corretora gaúcha: denúncia revela divisão de tarefas de trio acusado de crime

Três denunciados são apontados como coautores dos três crimes, "tendo agido em comunhão de esforços nas condutas descritas".

Compartilhe:
Luciani era corretora de imóveis (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Luciani era corretora de imóveis (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Os três suspeitos presos pela morte da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, assassinada e esquartejada em Florianópolis no início de março de 2026, foram denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta sexta-feira (22). Ao todo, eles devem responder pelos crimes de roubo qualificado pelo resultado morte, ocultação de cadáver e corrupção de menor.

Continua após a publicidade

Os acusados são a responsável pelo residencial no Norte da Ilha onde Luciani morava, Angela Maria Moro, de 47 anos; o vizinho da corretora, Matheus Vinicius Silveira Leite, de 27 anos, e a companheira dele, Leticia Jardim, de 30 anos. Conforme o Ministério Público, os três denunciados são apontados como coautores dos três crimes, “tendo agido em comunhão de esforços nas condutas descritas”.

A denúncia também aponta que os acusados agiram de forma conjunta e com divisão de tarefas.

Continua após a publicidade

O que a denúncia aponta como papel de cada denunciado

Conforme a denúncia, Leticia é apontada como responsável por preparar e ministrar substâncias sedativas à Luciani, para que a corretora não pudesse ter qualquer possibilidade de reação. Já a empresária teria causado lesões que resultaram na morte da corretora. Matheus teria sido responsável por esquartejar o corpo de Luciani, “com apoio logístico da empresária e da outra denunciada”.

Matheus e Letícia ainda teriam “prestado apoio material, vigilância e cooperação durante a execução”. Depois do homicídio, segundo o Ministério Público, os três denunciados teriam roubado diversos bens, incluindo eletrônicos, veículo, cartões bancários e dados pessoais, utilizando esses recursos para realizar compras e obter vantagem econômica.

Os três também teriam atuado no transporte e descarte dos restos mortais em diferentes locais, além de envolver um adolescente nas ações.

Denunciados podem ser condenados a quase 40 anos de prisão

O crime de roubo qualificado pelo resultado morte é definido pelo artigo 157 do Código Penal como “subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”, com pena de reclusão de 20 a 30 anos, e multa.

Continua após a publicidade

Já o crime de ocultação de cadáver é tido, pelo artigo 211, como “destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele”, com pena de reclusão de um a três anos, e multa.

O crime de corrupção de menor, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, é definido como “corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la”, e tem relação com o irmão de Matheus, que foi enviado para um endereço no Norte da Ilha para retirar mercadorias compradas no CPF de Luciani. A pena é de reclusão de 1 a 4 anos.

Continua após a publicidade

Com isso, a pena total, se somada, pode chegar a 38 anos de prisão.

Quem era Luciani?

Denunciados estão presos

Angela foi presa em flagrante no dia 12 de março por estar em posse de diversos bens pertencentes à Luciani. Ela é responsável pela pousada onde a corretora morava, no Norte da Ilha. Perguntada pelos policiais, Angela disse que Matheus, que também morava na pousada, pediu para que ela guardasse objetos relacionados à corretora em um dos apartamentos desocupados da pousada.

Continua após a publicidade

No apartamento, foram encontradas malas com pertences pessoais, além de outros bens adquiridos por Matheus, como dois arcos de balestra, controles de videogame, e uma televisão.

Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março. As mercadorias seriam entregues em um endereço no norte da Ilha. Os policiais realizaram vigilância no local e avistaram o momento em que um adolescente chegou para retirá-los.

Continua após a publicidade

Ele, então, teria dito que as mercadorias eram de seu irmão, Matheus, e que moraria com a família no mesmo bairro que Luciani, local em que posteriormente foi encontrado o carro da mulher que, na época, estava desaparecida.

Na conclusão do inquérito, o MPSC quer saber, com detalhes, o papel de cada suspeito na morte de Luciani. Para o órgão, a “ausência dessa individualização compromete a correta delimitação da responsabilidade penal e prejudica o adequado enquadramento jurídico das condutas, especialmente em crimes complexos como o latrocínio, que exige a demonstração do liame entre a violência empregada, a finalidade patrimonial e o resultado morte”.

Continua após a publicidade

Como o sumiço de Luciani foi descoberto

Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis. Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.

boletim de ocorrência foi registrado apenas no dia 9 de março, após a família desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

Continua após a publicidade

Dias depois, em 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercinona Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

O que dizem as defesas

A defesa de Angela afirmou que deve se pronunciar sobre a denúncia somente na segunda-feira (25). Já a defesa de Leticia Jardim.

Continua após a publicidade

Já a defesa de Leticia Jardim afirmou que não teve acesso aos autos, já que o judiciário manteve o caso em sigilo. Por isso, não tem nada a declarar a respeito da denúncia.