Poucas horas antes de ser encontrada morta, a estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, enviou uma mensagem à mãe, Isorlanda Caracristi, dizendo “te amo”. A jovem foi encontrada sem vida em uma área externa do condomínio onde morava com o namorado, João Munhoz Neto, de 34 anos, em Fortaleza, Ceará.
O caso ocorreu há uma semana e ainda é investigado pela Polícia Civil do Ceará, que divulgou, no domingo (20), as últimas mensagens e imagens dela viva.
Polícia divulga última conversa de estudante com a mãe horas antes da morte
Segundo as investigações da Polícia Civil, Isabelle havia passado o domingo na casa da mãe Segundo a mãe, durante a noite, as duas conversaram por mensagem sobre uma dor no pescoço relatada pela jovem.
“Ela disse assim pra mim: ‘Olha, eu vou descansar um pouco, porque tá doendo ainda’. Eu disse ‘pois não esqueça de tomar o relaxante muscular’. Ela disse ‘te amo, mãe‘, e disse ‘te amo minha filha’”.
A última mensagem enviada por Isabelle foi registrada às 19h22, cerca de uma hora e meia depois, às 20h40, a polícia estima que a jovem tenha morrido.
Isorlanda só descobriu que a filha havia morrido no dia seguinte, quando foi até o condomínio após tentar falar com João e não conseguir contato.
“Liguei pra ele várias vezes. Aí eu disse ‘como é que é isso’, até que eu me toquei que a imagem dele não tava mais no WhatsApp e que eu tinha sido bloqueada”.
Câmeras registraram movimentação de Isabelle e namorado no condomínio; entenda o caso
Imagens das câmeras de segurança obtidas pelo jornal Diário do Nordeste mostram a movimentação de Isabelle e João no dia da morte.
Os registros apontam que:
- Isabelle chegou ao prédio às 17h58 e João desceu para recebê-la na portaria;
- Os dois entraram juntos no elevador e subiram para o apartamento;
- Às 18h33, João deixou o edifício usando outra roupa e, antes de sair, aparece no elevador aparentemente trocando um anel da mão direita;
- Às 19h12, Isabelle entrou sozinha no elevador em direção à cobertura, localizada no 23º andar;
- O apartamento onde ela morava com João ficava no 15º andar;
- João retornou ao prédio às 22h48, quando o carro da perícia já estava na garagem.
As imagens de outros pontos do condomínio continuam sendo analisadas pela polícia. Até o momento, quatro pessoas prestaram depoimento, e outros quatro depoimentos devem ser colhidos nos próximos dias.
Exames indicam lesões provocadas pelo impacto da queda
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Ceará informou que os exames realizados até agora identificaram lesões no corpo compatíveis com o impacto contra o solo.
Os testes laboratoriais também não apontaram a presença de substâncias toxicológicas no organismo da jovem.
A Polícia Forense retornou, nos últimos dias, ao condomínio com drones para auxiliar na apuração. O laudo referente ao exame realizado no corpo deve ser concluído até o início de outubro.
Relação entre casal e comportamento possessivo
Conforme apontam as investigações policiais, Isabelle e João se conheceram em julho, em um escritório de advocacia onde ele trabalhava e ela atuava como estagiária. A jovem cursava o segundo semestre de Direito e havia começado recentemente o estágio.
Poucas semanas antes da morte, ela passou a morar no condomínio com João, um irmão dele e a mãe do namorado, Sara Regina Alexandre Munhoz. Ela ocupa o cargo de coordenadora de execução da saúde prisional da Secretaria de Administração Penitenciária.
À mãe, Isabelle relatava incômodo com comportamentos que considerava ciumentos e possessivos do namorado.
“Ela começou a me relatar, relatar que bastava ela descer para lanchar com as amigas do trabalho, quando via ele já estava lá junto. Quando ela descia, às vezes, para comprar um remédio na farmácia quando sentia cólica, ele já estava lá. Reclamava que ele era muito ciumento, que para onde ela ia, ele tava também”, diz Isorlanda Caracristi.
Namorado continua sendo procurado
João Munhoz Neto é procurado pela polícia desde a morte de Isabelle. O casal residia junto no condomínio onde o corpo foi localizado.
A investigação também apreendeu dispositivos eletrônicos pertencentes à mãe dele. O material deverá ser analisado enquanto os investigadores reconstituem a sequência de acontecimentos registrada no dia da morte.
A Polícia Civil do Ceará segue reunindo depoimentos e imagens de segurança para esclarecer o que aconteceu entre a última comunicação de Isabelle com a mãe e o momento estimado da morte.




