Um idoso que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) teve a mangueira que o ligava ao oxigênio cortada. A companheira dele é investigada no caso que ocorreu em Mafra, no Planalto Norte de SC. À polícia, uma enfermeira revelou que o corte na mangueira poderia ter causado a morte do paciente. O idoso de 78 anos morreu um mês depois do episódio, porém, a polícia informa que foi em decorrência do AVC. Procurado pela reportagem, o hospital em que o idoso estava internado não retornou contato.
A companheira do idoso é investigada após ter sido acusada pelo filho dele de ter cortado a mangueira de oxigênio. O homem teria visto o objeto no bolso dela durante uma visita ao hospital. O caso é investigado e a Polícia Civil aguarda o resultado de perícias para avançar com as apurações.
O que diz a denúncia da família após mangueira de oxigênio do idoso aparacer cortada
O filho do idoso revelou à Polícia Militar em boletim de ocorrência que foi visitar o pai no Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, em 15 de julho, após o pai ter sido internado na UTI por conta de um AVC.
Ainda na recepção, encontrou a madrasta, acompanhada de uma amiga. As duas fariam uma visita ao homem. Como o filho também compareceu ao local, a amiga não pôde realizar a visita, portanto, o filho e a madrasta foram juntos ver o paciente.
“Certo momento, ambos estavam em lados opostos da cama e percebeu que a mulher puxou algo do bolso lateral direito de seu casaco e mexia em algo muito próximo à cama. Ele achou estranho e quando foi para o outro lado e viu que havia uma tesoura nesse bolso dela. Ao se aproximar da mangueira do oxigênio sentiu que ‘vazava’ ar”, relata o Boletim de Ocorrência com o relato do filho.
Na sequência, a mulher teria ido embora. Antes, porém, o homem tirou uma foto do objeto que era carregado pela mulher no bolso, que seria uma tesoura.
Em entrevista ao NSC Total, a irmã do denunciante e filha do paciente confirmou a versão do irmão. “Ele estava conversando comigo, pegou o celular e falou assim: ‘ah, deixa eu ver a hora’ e pego pegou o celular, tirou a foto e me mandou. Eu achei muito estranho aquilo”, conta a irmã, que recebeu a imagem e encaminhou para o restante da família.
Assustado, o homem então procurou a portaria do hospital e foi atendido por uma enfermeira, que o acolheu. Eles foram até a UTI e, juntos, constataram que realmente havia um tubo de ventilação cortado, o qual rapidamente foi trocado.
“Que já há uma desconfiança de que Inês possa ter sido responsável em parte pelo AVC de Juvenal, onde já foi inclusive solicitado pelo Ministério Público de Papanduva um exame para comprovar essa situação”, informou o boletim de ocorrência. Inclusive, a Polícia Civil confirmou que um exame toxicológico foi feito no idoso quando ele ainda estava vivo para verificar possíveis substâncias no corpo. Ainda, o filho informou à PM que desconfia da madrasta porque seu pai tinha um seguro de vida em que ela seria a única beneficiária.
Enfermeira revelou que corte poderia ter matado o idoso
Uma enfermeira da unidade hospitalar também conversou com a Polícia Militar como testemunha. Ela confirmou a versão do filho sobre o corte, especificamente, pois foi uma das pessoas que foi até a UTI para verificar a situação.
Conforme o relato disponível no boletim de ocorrência, a testemunha informou que na UTI, foi constatado que o tubo chamado ‘traquéia do ventilador’, a qual dá suporte para a máquina mandar oxigênio para o paciente, estava cortado. Também relatou que o equipamento é essencial e pode ser considerado um suporte de vida para o paciente.
A enfermeira contou à Polícia Militar que o tubo em questão era novo e, também, que seria impossível ter se rasgado ou mesmo partido sozinho. “[A enfermeira] pode afirmar que realmente o tubo parece ter sido cortado por faca ou tesoura. Que nas condições que foi encontrado ainda fazia sua função, mas mesmo assim poderia até causar o óbito do paciente”, relatou à PM sobre o depoimento da enfermeira no boletim de ocorrência.
O NSC Total entrou em contato com o Hospital São Vicente de Paulo, de Mafra, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Agora, o caso é investigado pela Polícia Civil, que destacou que, apesar do ocorrido, o corte da mangueira não teria causado danos ao idoso, que morreu em decorrência do AVC.




