Exumação e arma: o que se sabe sobre morte de PM que levou à investigação por feminicídio

Marido da PM Gisele Alves Santa, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, agora é investigado

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PM foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro (Foto: TV Globo, Reprodução)

PM foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro (Foto: TV Globo, Reprodução)

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada já sem vida em casa com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro em São Paulo, tomou novos rumos nesta semana com um novo laudo necroscópico e a exumação do corpo. Nesta semana, o caso, que era tratado como suicídio, agora é apurado como feminicídio, com o marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, sendo investigado.

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Um novo laudo, que ainda deve ser liberado, pode ser determinante para um pedido de prisão do tenente-coronel. Uma reunião entre integrantes da Secretaria da Segurança e do Ministério Público, o perito e o delegado do caso deve acontecer nesta quarta-feira (11) para tratar sobre o caso.

Como o caso foi registrado inicialmente?

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento que vivia com o marido. Foi ele quem chamou a polícia. Geraldo contou os dois tinham discutido e que ela havia tirado a própria vida, pedindo resgaste e uma viatura.

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No entanto, a família começou a desconfiar dessa versão, alegando que Gisele amava a vida e que queria se separar do marido, além de ser muito apegada à filha de 7 anos, de um relacionamento anterior. Com isso, a exumação do corpo foi solicitada, o que aconteceu na sexta-feira (6).

Em depoimento, o homem ainda disse que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, um minuto depois, teria ouvido um barulho, que pensou ser de uma porta batendo. Quando saiu do cômodo, viu Gisele caída na sala.

O que apontou a exumação?

O laudo do exame foi obtido com exclusividade pela TV Globo, e mostra que Gisele tinha marcas no pescoço e no rosto provocadas por força exercida pela pressão dos dedos das mãos e marcas de unha na pele. Outro exame também apontou “lesões compatíveis com pressão digital, ou seja, dos dedos das mãos”.

Pontos de contradição na versão do marido

Horário

Um dos pontos de contradição na versão do tenente-coronel analisado pelos investigadores é o horário da morte. Uma vizinha do casal disse que acordou às 7h28min depois de ouvi um estampido forte vindo do apartamento.

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Isso aconteceu cerca de meia hora antes da primeira ligação ao serviço de emergência, às 7h57min. Às 8h05min, ele ligou para o Corpo de Bombeiros e disse que a mulher ainda estava respirando. Cinco minutos depois, as equipes chegaram.

Posição da arma

Outro ponto é sobre a arma. Um dos socorristas afirmou que a arma estava muito “bem encaixada” na mão da mulher, de um jeito que ele nunca tinha visto em casos de suicídio. Por isso, ele decidiu tirar uma foto da cena.

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Ele também afirmou que o sangue já estava coagulado quando o socorro chegou ao local, e que não havia cartucho de bala no apartamento.

Banho

Apesar de ter dito que estava no banho no momento em que o disparo aconteceu, um sargento do Corpo de Bombeiros disse que, quando chegou no apartamento, o tenente-coronel estava de bermuda, sem camisa e inteiramente seco.

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O chuveiro do banheiro do corredor também estava ligado, mas não foram formadas poças de água no chão ou no corredor.

Fala calma e pressa para retirada de Gisele do apartamento

Os investigadores também apontaram a conduta do marido como algo estranho, já que ele não chorou e nem demonstrou desespero em nenhum momento. Ao telefone, ele também “falava calmamente”, segundo um bombeiro, e insistia a todo momento para que Gisele fosse retirada do apartamento e levada ao hospital.

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Ele também não tinha nenhuma marca de sangue no corpo ou nas roupas, o que indica que ele não tentou prestar os primeiros socorros à Gisele, segundo a investigação.

Presença de desembargador no apartamento depois da morte

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), esteve no apartamento às 9h07min, à pedido do tenente-coronel, segundo a polícia. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, disse que o “desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo”.

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Limpeza feita por policiais

Segundo uma testemunha, três policiais teriam realizado a limpeza do imóvel cerca de 10 horas depois da ocorrência. As agentes teriam permanecido por cerca de 50 minutos no prédio. Elas serão ouvidas na investigação.

O que dizem as defesas

Antes da divulgação do laudo feito após a exumação, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que ele não era tratado como investigado, suspeito ou indiciado no processo. Os advogados afirmaram que ele tem colaborado com as autoridades e está à disposição.

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A defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan disse que ele foi chamado como amigo do tenente-coronel e que vai prestar esclarecimentos à polícia judiciária.