Facção de SC faz dinheiro do tráfico de drogas “sumir” usando criptomoedas

Operação Mercúrio investiga esquema que pulverizava recursos do tráfico em São Paulo antes de reuni-los novamente para ocultar a origem do dinheiro

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Como facção de SC fazia dinheiro do tráfico "sumir" usando criptomoedas e centenas de transferências

Materiais apreendidos serão encaminhados para perícia da Polícia Científica de Santa Catarina (Foto: MPSC, Divulgação)

O dinheiro obtido com o tráfico de drogas no Oeste de Santa Catarina era enviado para integrantes de uma facção criminosa em São Paulo, onde passava por um complexo esquema de lavagem de dinheiro para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. É o que aponta a investigação da Operação Mercúrio, deflagrada na manhã desta quarta-feira (1º) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

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A ação tem como alvo o braço financeiro da organização criminosa e cumpre três mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão na zona leste da capital paulista. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, incluindo criptomoedas.

Segundo a investigação, o dinheiro arrecadado com atividades criminosas em Santa Catarina, principalmente o tráfico de drogas, era remetido para criminosos residentes em São Paulo. No estado paulista, os valores eram fracionados em centenas de operações financeiras, distribuídos entre diferentes contas e convertidos, em parte, em criptoativos, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

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Depois de pulverizados, os recursos eram novamente reunificados e reinseridos no sistema financeiro com aparência de legalidade, caracterizando, conforme o Ministério Público, um esquema de lavagem de dinheiro.

A investigação teve origem no compartilhamento de informações obtidas em operações anteriores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), que já apuravam a atuação da mesma facção no Oeste catarinense.

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual das Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Além das prisões e buscas, foi autorizado o bloqueio de ativos financeiros, especialmente criptomoedas, utilizadas pelos investigados.

A operação é coordenada pela 5ª Promotoria de Justiça da Comarca de Concórdia, com apoio do GAECO, do Grupo Estadual de Enfrentamento a Facções Criminosas (GEFAC), do GAECO do Ministério Público de São Paulo e das polícias Civil e Militar paulista.

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Por que “Mercúrio”?

O nome da operação faz referência ao elemento químico mercúrio (Hg), conhecido por sua fluidez e capacidade de se dividir em pequenas partículas e depois voltar a se unir. Segundo o Ministério Público, essa característica simboliza a estratégia adotada pelos investigados: fragmentar o dinheiro em inúmeras transações para esconder sua origem e, posteriormente, reunir novamente os valores já “lavados”.

Os materiais apreendidos serão encaminhados para perícia da Polícia Científica de Santa Catarina. A investigação segue em sigilo.