Em Balneário Camboriú, alunas da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) descobriram um grupo de conversa entre estudantes homens, em um aplicativo de mensagens, onde eles falavam pejorativamente da conduta das colegas, faziam afirmações de cunho sexual e também pejorativas. Além disso, denúncias apontam que havia ainda imagens motificadas por inteligência artificial (IA) das alunas.
Na tarde desta quinta-feira (13), a reitoria da universidade afirmou ter tomado conhecimento dos fatos e destacou que a instituição está tomando todas as medidas cabíveis. Apesar de ter repercutido como “lista de estupráveis”, o professor Oséias Alves Pessoa, diretor-geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi), afirmou que não há uma listagem de nomes, e sim conversas de cunho sexual sobre alunas.
Em nota publicada, a reitoria afirma que uma comissão de sindicância investigativa foi instituída na unidade para apurar os fatos, identificar as circunstâncias e eventuais responsáveis. Além disso, a universidade afirma ainda que repudia qualquer forma de violência, assédio, discriminação, desrespeito e misoginia, e outras situações que atentem contra a dignidade das mulheres.
O procedimento interno tramita em sigilo e também deve analisar a conduta dos estudantes envolvidos, que são do curso de Engenharia do Petróleo, para verificar se houve práticas de caráter sexista, machista, assédio ou outras formas de violência e contra as alunas. Além disso, a Polícia Civil também abriu um inquérito para investigar o caso.
Alunos trocavam mensagem sobre mulheres da universidade
De acordo com o professor Oséias Alves Pessoa, diretor-geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (Cesfi), a universidade foi surpreendida com a denúncia. Segundo ele, o relato das estudantes aponta a existência de um grupo de mensagens entre alunos da Udesc, onde há mensagens como “essa eu passava …”, “essa ficou com todo mundo”, citando diretamente algumas mulheres.
Entre as meninas citadas, quatro delas já compareceram a delegacia para o registro do Boletim de Ocorrência. De acordo com a universidade, cerca de seis alunos são citados como integrantes do grupo, mas a instituição ainda desconhece o número exato de responsáveis.
O diretor-geral ainda afirma que as mensagens trocadas são “extremamente graves”, e destaca que já foi criada uma comissão investigativa para apurar administrativamente a situação. O caso está em fase inicial de investigação, e de acordo com Oséias, será administrado com rigor.
Existe sim, falas (no grupo) que destoam daquilo que se espera dos nossos acadêmicos. Por isso, seremos rigidos na apuração e daremos resposta dentro do ordenamento juridico.
Caso foi descoberto pela namorada de um dos estudantes
O caso foi descoberto pela namorada de um dos estudantes envolvidos no caso. A jovem, que não frequenta a Udesc, teve acesso ao conteúdo do grupo e foi a responsável por fazer a denúncia à uma das meninas citada pelos acadêmicos. Agora, além do processo administrativo na própria universidade, o caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Balneário Camboriú.
Leia a nota da Udesc na íntegra
A Reitoria da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Direção-Geral da Udesc Balneário Camboriú informam que estão sendo adotadas as providências cabíveis que competem à instituição sobre o relato envolvendo estudantes da universidade em um aplicativo de mensagens.
Uma comissão de sindicância investigativa foi instituída no âmbito da Udesc Balneário Camboriú, conforme determina o regime disciplinar da Udesc. Os procedimentos internos têm como objetivo apurar os fatos, identificar as circunstâncias e eventuais responsáveis, assegurando o devido processo e a análise das informações disponíveis.
A Direção-Geral da Udesc Balneário Camboriú também registrou boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, com o objetivo de contribuir para a adequada e completa apuração dos relatos.
A Udesc acompanha os trâmites internos com seriedade e responsabilidade. Como instituição pública, a Universidade tem o dever de acolher, registrar e encaminhar as situações que chegam ao seu conhecimento, adotar as providências administrativas cabíveis dentro de suas competências e colaborar integralmente com as autoridades responsáveis por eventuais apurações externas, sempre em observância à legislação, à legalidade e ao devido processo.
A Universidade repudia veementemente toda e qualquer forma de violência, assédio, constrangimento, discriminação, desrespeito, misoginia, bem como qualquer situação que atente contra a dignidade das mulheres. A Udesc reafirma seu compromisso com um ambiente universitário seguro, inclusivo e respeitoso.”
