Morador de SC entra na lista suja do trabalho escravo após mulher passar 40 anos em condições chocantes

Homem de SC entrou na lista suja após investigação apontar que manteve a própria filha em condições degradantes por cerca de 40 anos.

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Imagens feitas no dia do resgate da mulher mostram as condições em que ela vivia (Foto: Governo Federal, Divulgação)

Um morador de Santa Catarina entrou para a lista suja do trabalho escravo divulgada nesta semana pelo governo federal. O caso veio à tona em maio, quando a filha dele, uma mulher de 43 anos, foi encontrada em condições desumanas dentro da casa onde vivia com o pai.

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As investigações apontaram desde privação de comida, restrição de liberdade até obrigação de executar todas as tarefas domésticas apesar das condições psicológicas.

Além de entrar para a lista suja do trabalho escravo, que impõe a ele uma série de restrições, o homem também responde a processo judicial pelos crimes de cárcere privado qualificado e maus-tratos contra a filha. A mulher foi retirada do imóvel, encaminhada para atendimento psicossocial, e o pai impedido de se aproximar dela.

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Veja imagens do momento do resgate

Quatro décadas de horror

A história veio à tona após uma denúncia de suposto trabalho doméstico escravo. Agentes federais foram ao imóvel na cidade interiorana de Benedito Novo, onde se depararam com uma mulher de aparência frágil, infantilizada e que só falava com terceiros se o pai autorizasse.

A polícia disse à época que ainda não estava claro se a mulher sofre de algum transtorno ou se o comportamento incompatível com a idade é reflexo dos anos de segregação. No despacho, o delegado Ismael Gustavo Marmitt recomendou uma avaliação neuropsicológica.

“É para o fechamento de diagnóstico e mensuração de reserva cognitiva; implementação de reabilitação multidisciplinar, com atendimentos odontológico, médico e psicoterapêutico; inserção em programas de socialização em ambientes enriquecidos”, explica.

No dia em que foi resgatada, ainda muito assustada, ela carregava no colo, como um bebê de verdade, uma boneca. Era seu amuleto para se sentir segura. Ela contou, inclusive, que chegou a usar creolina, usada em animais, para acabar com a dor no único dente que carregava na boca.

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A investigação apontou também, nas palavras do delegado, que a mulher vivia em extrema vulnerabilidade e tinha dependência em relação aos familiares que moravam com ela — pai, irmão e mãe — e enfrentava condições degradantes de vida. A mãe dela morreu em 2024.

Apesar do fim da investigação, o processo de reabilitação da vítima deve ser longo.