Namorado de miss morta a “diminuía como mulher”: o que já foi revelado pela polícia

Ana Luiza Mateus, de 29 anos, morreu após após cair do 13º andar de um prédio no condomínio Alfapark, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na quarta-feira (22); caso é investigado como feminicídio

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Namorado da vítima, foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio (Foto: Instagram, Reprodução)

O delegado Renato Martins, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) do Rio, afirmou que o homem preso pela morte da modelo e miss Ana Luiza Mateus, de 29 anos, admitiu ter ofendido a vítima com xingamentos e falas que a “diminuíam como mulher”, em um contexto de violência psicológica e moral.

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Apesar disso, segundo o delegado, o suspeito não confessou diretamente o crime, mas declarou: “Sou culpado, independentemente de ter feito ou não”.

Horas após prestar depoimento, o suspeito, Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, de 29 anos, foi encontrado morto, no fim da tarde de quarta-feira (22). A polícia informou que o local passou por perícia no início da noite.

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Endreo havia sido preso em flagrante após se apresentar na delegacia com um documento do irmão. Durante o depoimento, ele relatou ter tido diversas discussões com a vítima e reconheceu o comportamento abusivo.

Quem era Ana Luiza, que concorria a Miss Cosmo?

Relacionamento curto e conturbado

Segundo o próprio suspeito, o relacionamento com Ana Luiza durava cerca de três meses e era marcado por conflitos frequentes. A briga na madrugada de quarta-feira teria começado após a modelo manifestar o desejo de terminar o namoro.

Ana Luiza morreu após cair do 13º andar de um prédio no condomínio Alfapark, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Testemunhas relataram que o casal chegou ao local discutindo. Após a briga, Endreo deixou o prédio sozinho e retornou pouco depois, de acordo com a polícia.

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Funcionários do condomínio disseram ter orientado a modelo a deixar o imóvel caso o namorado voltasse. Ela chegou a afirmar que havia comprado uma passagem de volta para a Bahia, com voo previsto para a madrugada de quarta, mas decidiu permanecer no apartamento.

Relatos de testemunhas apontam relação abusiva

De acordo com o delegado, depoimentos de testemunhas e mensagens analisadas indicam que o casal vivia uma relação conturbada e abusiva.

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— Houve uma espécie de guerra entre eles, muito ouvida por vizinhos e funcionários. As mensagens e os relatos convergem para o entendimento de que houve participação dele no feminicídio — afirmou Martins ao g1.

A investigação também apura a conduta do suspeito após a queda. Segundo relatos, ele teria mexido na cena e tentado sair do condomínio pelos fundos antes de retornar.

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O delegado afirmou ainda que Endreo demonstrava ciúmes excessivos da vítima.

— Era um ciúme doentio, ligado à beleza dela, às amizades e à vida social — disse.

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A polícia destaca que a declaração do suspeito foi interpretada como um desabafo, e não como confissão formal.

Suspeito tinha passado violento

Endreo Lincoln Ferreira da Cunha era natural do Mato Grosso do Sul e foi baleado pelo próprio pai em 2019 durante um conflito familiar relacionado a uma dívida. O familiar do suspeito alegou que agiu em legítima defesa e afirmou que disparou contra o filho após ele tentar invadir a sua casa.

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O empresário alegou, na época, que tinha uma dívida de R$ 2 milhões com o pai. A defesa do pai, entretanto, alegou que Endreo exigia R$ 200 mil para cursar Medicina no Paraguai.

Segundo as investigações, Endreo tinha mais de 20 anotações criminais, sendo condenado a três anos em regime aberto por atropelar um policial civil em 2011, após sair de uma festa e tentar fugir de uma abordagem. Ele chegou a ser baleado pelo agente e não possuía carteria de motorista.

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Além disso, o empresário é suspeito de ter praticado estupro, sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra uma mulher de 31 anos, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em 2025. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele é acusado de ter desferido vários socos na vítima e enforcá-la com um cinto. Ainda conforme a Justiça, ele também é apontando como autor de violência doméstica em outros casos.

Caso segue sob investigação

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. A perícia já foi realizada no local e testemunhas continuam sendo ouvidas.

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Natural de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, Ana Luiza era candidata a um concurso nacional ligado ao Miss Cosmo Brasil, cuja organização divulgou nota de pesar pela morte. Leia na íntegra:

“A organização Miss Cosmo Brasil manifesta profundo pesar pela morte de Ana Luiza Mateus, candidata inscrita ao título de Miss Cosmo Brasil 2026, representando o estado da Bahia.

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Ana Luiza era uma jovem em ascensão que construía com esforço e talento sua trajetória no universo Miss.

Recebemos a notícia com tristeza e consternação. Nos solidarizamos com seus familiares e amigos.

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Diante das informações sobre o ocorrido, o caso convoca a uma reflexão urgente sobre a violência contra a mulher no Brasil. O feminicídio não pode ser tratado como estatística ou rotina. É uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade, compromisso e ação coletiva.

Ana Luiza não será esquecida.

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Miss Cosmo Brasil

Fabrício Granito (CEO)“.