São Francisco do Sul, Joinville e Garuva foram cidades chaves para uma operação que mirou o tráfico ilegal de animais silvestres em Santa Catarina. A investigação, que resultou na prisão de cinco pessoas, começou em São Francisco do Sul, após uma denúncia de que um macaco-prego era mantido ilegalmente. A Polícia Civil revelou que o Norte de Santa Catarina funciona como uma rota estratégica para esse tipo de crime e concentra o maior número de casos de captura e escoamento de animais silvestres no Estado.
Durante as diligências, foram encontrados duas araras-canindés, um papagaio-verdadeiro e diversos passeriformes. Segundo a delegada Tânia Harada, da Delegacia de Proteção Animal de Joinville, uma pessoa foi presa preventivamente e outras quatro foram detidas em flagrante. Uma das prisões ocorreu em Garuva e estaria relacionada ao uso de documentação falsa.
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“O alvo principal da operação, que foi o homem que foi preso preventivamente, era o responsável pela confecção desses documentos. Além dos documentos falsificados a investigação apontou também para anilhas falsificadas e fora do padrão oficial de fornecimento do Ibama”, explicou a delegada, em entrevista a CBN Joinville.
Anilhas são espécies de anéis colocas nas aves, nas patas, usados para comprovar a origem legal do animal. No caso, a investigação identificou que elas eram falsas.
“Além das anilhas, os documentos apreendidos são notas fiscais, como se o animal tivesse sido adquirido de um criador autorizado pelo Ibama, e um falso certificado de origem”, afirmou Tânia.
Homem já havia sido preso outras vezes
O principal alvo da operação seria responsável pela produção e comercialização dos documentos falsificados. Segundo a Polícia Civil, ele já havia sido preso outras três vezes por suspeita de envolvimento com o tráfico de animais silvestres na região.
“Essa é a quarta vez que a polícia realiza a prisão desse investigado, mas é a primeira prisão preventiva”, afirmou a delegada.
Além investigação aponta que o homem mantinha há anos como fonte de renda o comércio ilegal de animais silvestres e a venda de documentos fraudulentos. Ele também tem antecedentes por roubo no Estado de São Paulo. Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o sequestro de um imóvel pertencente ao investigado. Conforme a polícia, há indícios de que o patrimônio tenha sido adquirido com recursos provenientes da atividade ilegal.
“Conseguimos o sequestro do imóvel do nosso principal alvo porque comprovamos que o patrimônio que ele angariou tem como base esse tipo de atividade. É um esforço para tentar combater efetivamente o tráfico”, disse Tânia.
Região é rota de captura e transporte de animais
Conforme a delegada, o Norte de Santa Catarina é a região com maior incidência de captura e escoamento de animais silvestres no Estado. A retirada ilegal envolve principalmente passeriformes, grupo formado por aves, mas a presença do macaco-prego em São Francisco do Sul também chamou atenção, o que pode revelar ainda mais desdobramentos.
Ainda, a delegada ressaltou que os maus-tratos começam no momento em que os animais são retirados da natureza e continuam durante o transporte clandestino.
“É importante frisar que os maus-tratos já acontecem com a subtração da natureza e durante o transporte. Apenas uma em cada dez aves chega viva ao destino”, alertou.
As araras-canindés encontradas durante a operação, por exemplo, não são espécies da região, desta forma, a presença dos animais reforça a existência de uma rede de transporte e comercialização por outros estados.
A delegada reconheceu que algumas famílias desenvolvem vínculos afetivos com os animais, mas destacou que a análise precisa considerar os impactos ambientais provocados pela retirada de espécies da natureza.
“Sabemos que, em algumas situações, existe o apego da família com o animal e até do animal com a família, mas precisamos pensar no meio ambiente como um todo e ter uma visão global da situação”, disse.
A investigação continua para identificar outras pessoas envolvidas na produção de anilhas e documentos falsos, na captura dos animais e na comercialização clandestina. Ao todo, cerca de 60 policiais civis de Joinville e de outras regiões de Santa Catarina participaram do cumprimento de 16 ordens de busca e apreensão.




