Advogada de SC é suspeita de fazer “leva e traz” de recados entre presos e facção criminosa

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Chapecó e Joinville; investigação do MPSC aponta que profissional teria intermediado a comunicação entre integrantes de organização criminosa

Compartilhe:
Operação mira advogada de SC por leva e traz de recados entre presos e facção

Operação Ascot cumpriu mandados de busca e apreensão em Chapecó e Joinville na manhã desta quarta-feira (29) (Foto: MPSC, Divulgação)

Uma advogada de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, é alvo da Operação Ascot, deflagrada na manhã desta quarta-feira (29) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A investigação apura se a profissional utilizava as prerrogativas da advocacia para fazer o “leva e traz” de recados entre integrantes de uma organização criminosa presos e membros da facção que permaneciam em liberdade.

Continua após a publicidade

Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC) nas cidades de Chapecó e Joinville. Além da advogada, as diligências tiveram como alvo um detento da Penitenciária Industrial de Joinville. A ação foi acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Segundo o MPSC, a investigação teve início a partir de desdobramentos da Operação Sodalitas Finis, realizada em agosto de 2023. As apurações apontam indícios de que a advogada teria extrapolado os limites legais e éticos da profissão para intermediar a comunicação entre integrantes da facção, contribuindo para a circulação de informações dentro da organização criminosa.

Continua após a publicidade

Os materiais apreendidos durante as buscas serão encaminhados à Polícia Científica para perícia. Depois da análise, o conteúdo servirá para o aprofundamento das investigações.

Nome da operação

De acordo com o Ministério Público, o nome Ascot faz referência ao tradicional nó de gravata conhecido como Ascot tie. No ambiente prisional, o termo “gravata” é frequentemente utilizado como referência a advogados. A escolha do nome faz alusão à principal linha investigativa da operação, que apura o suposto uso indevido das prerrogativas da advocacia para intermediar a comunicação entre integrantes da organização criminosa.

O procedimento tramita sob sigilo. Conforme o MPSC, novas informações poderão ser divulgadas caso haja autorização judicial.