Reduto do crime descoberto em Blumenau tinha de “cantinho do castigo” a “tribunal”

Grupo foi desarticulado após a investigação de uma morte por espancamento; agressões eram feitas como forma de punição

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Mais de 80 policiais saíram às ruas de Blumenau nesta sexta-feira (Foto: Renner, Polícia Civil)

As investigações que resultaram em prisões nesta sexta-feira (18) em Blumenau mostram como a organização criminosa agora desarticulada agia na região conhecida como Brooklin, no bairro Passo Manso. Os integrantes transformaram os apartamentos em um verdadeiro reduto do crime, que tinha de “cantinho do castigo” a “tribunal”.

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O delegado responsável pelo caso, Bruno Fernando, conta que ao menos três imóveis eram usados pelos traficantes, que fazem parte de uma facção estadual. Dentro da organização, regras precisavam ser obedecidas, como não cometer violência contra os moradores dos condomínios, não falar com a polícia, não pedir dinheiro, entre outros.

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Se alguém descumprisse, passava pelo “tribunal” dentro dos apartamentos. Depois de julgado pelos líderes, o integrante tinha de cumprir a “pena”: seja ela financeira, alguma “missão” ou as agressões, que eram feitas no “cantinho do castigo”. Foi assim que um dos participantes morreu no ano passado.

Segundo Bruno, Marcelo dos Santos tinha vínculo com a organização por ser usuário de drogas. No final de 2022, ele cometeu um furto de bebida alcoólica em um mercado da região e foi punido por conta disso. O espancamento foi tão brutal que o homem não resistiu aos ferimentos.

Depois das investigações do homicídio, o delegado passou a averiguar a atuação dos suspeitos, chegando ao grupo criminoso. No Brooklin, eles também aliciavam adolescentes para o tráfico, que era o “carro-chefe” da organização. O comércio de armas ocorria livremente no reduto montado no Passo Manso, conta ainda o delegado.

— Era uma minoria que fazia isso ao lado dos apartamentos dos outros moradores, que são trabalhadores, pessoas que precisavam conviver com isso — diz Bruno.

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Dos 56 mandados, 23 eram de prisão — os demais, de busca e apreensão. Dos 23 suspeitos, oito seguem foragidos. Os detidos estavam em diversos bairros da cidade, já o condomínio popular do Passo Manso não servia de habitação para todos eles, mas sim o “ponto de encontro” para as atividades criminosas. A operação desta sexta teve o apoio de 86 policiais da região.

Veja fotos da operação desta sexta

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