Santa Catarina lidera ranking nacional com mais de 75 mil golpes virtuais registrados em 2025

Estado possui a maior taxa de estelionatos virtuais por 100 mil habitantes do Brasil: 917,3, valor 3,7 vezes maior que a média brasileira (246,2)

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Santa Catarina lidera ranking nacional com mais de 75 mil golpes virtuais registrados em 2025

Especialista aponta que com a ampliação do uso digital, muitos usuários não têm preparo para identificar golpes (Foto: Banco de imagens)

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), mostram que Santa Catarina registrou 75.103 casos de estelionato virtual em 2025, seguindo como o estado com o maior número absoluto desse tipo de crime no país. O número representa um aumento de 0,3% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 73.739 ocorrências.

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Além disso, Santa Catarina possui a maior taxa de estelionatos virtuais por 100 mil habitantes do Brasil: 917,3, valor 3,7 vezes maior que a média brasileira (246,2).O Estado também ocupa a quinta posição na taxa geral de estelionatos (incluindo os não virtuais).

Estados com maiores taxas de estelionato virtual em 2025

  1. Santa Catarina: 917,3 casos por 100 mil habitantes
  2. Distrito Federal: 856,2 casos por 100 mil habitantes
  3. Rondônia: 798,3 casos por 100 mil habitantes
  4. Mato Grosso: 593,8 casos por 100 mil habitantes
  5. Espírito Santo: 587,5 casos por 100 mil habitantes

Estados com as maiores taxas gerais de estelionato (incluindo não virtuais) em 2025

  1. São Paulo: 1.808,3 por 100 mil habitantes
  2. Distrito Federal: 1.717,0 por 100 mil habitantes
  3. Paraná: 1.339,1 por 100 mil habitantes
  4. Rondônia: 1.329,6 por 100 mil habitantes
  5. Santa Catarina: 1.294,8 por 100 mil habitantes

Crimes virtuais seguem em alta no Brasil

Os crimes de estelionato por meio eletrônico continuaram crescendo no país em 2025. Ao todo, o Brasil registrou 346.753 ocorrências, um aumento de 20,6% em relação aos 286.226 casos de 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

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Depois de Santa Catarina, os estados com maior número de ocorrências são Minas Gerais, com 60.037 casos, Distrito Federal, com 25.658, Espírito Santo, com 24.247, e Mato Grosso, com 23.120.

Em relação à taxa por 100 mil habitantes, o Distrito Federal (856,2) aparece na segunda colocação nacional, seguido por Rondônia (798,3), Mato Grosso (593,8) e Espírito Santo (587,5).

Segundo Carlos Roberto Moratelli, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em segurança de dados, o fenômeno está diretamente relacionado ao avanço da inclusão digital:

— Cada vez mais pessoas têm acesso à internet, mas muitas não possuem preparo suficiente para identificar e lidar com golpes digitais. Antes, para cometer um crime, o criminoso precisava ir às ruas; hoje, com o imenso número de potenciais vítimas online, surge o criminoso “home office”, que pratica delitos sem sair de casa.

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Conheça os principais crimes virtuais

  1. Phishing e golpes bancários: o setor financeiro (incluindo Pix) e as fintechs são os principais alvos. Fraudes por engenharia social, usando mensagens falsas, tornaram-se mais sofisticadas com o uso de IA generativa — incluindo deepfakes e simulações de voz para enganar vítimas.
  2. Ransomware e sequestro de dados: cresce o número de ataques em que criminosos invadem sistemas e sequestram dados, atingindo inclusive órgãos públicos e grandes empresas.
  3. Crimes digitais contra menores: abuso sexual infantil online e cyberbullying entre crianças e adolescentes também apresentam aumento significativo.
  4. Ataques a serviços de telecomunicações e nuvem: empresas de telecom, governo, educação e saúde têm sido alvo de brechas exploradas com apoio de IA e das novas redes 5G.

Casos recentes mostram diferentes golpes aplicados em SC

Casos registrados em Santa Catarina neste ano ilustram como ocorrem estelionatos virtuais. Em 22 de maio, um casal foi preso em Gaspar, no Vale do Itajaí, suspeito de participar de um esquema com veículos anunciados na OLX que teria causado mais de R$ 5 milhões em prejuízos a pelo menos 70 vítimas.

Segundo a Polícia Civil, o trio usava uma empresa de fachada para comprar carros financiados, pagava uma pequena parte do valor e assumia o compromisso de quitar as parcelas restantes. Com uma procuração em mãos, os suspeitos revendiam os veículos sem continuar os pagamentos, deixando os antigos proprietários com as dívidas.

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Em abril, um homem de 30 anos suspeito de aplicar o chamado golpe do amor foi preso em Florianópolis. De acordo com a Polícia Militar, ele utilizava uma falsa empresa de modelos para atrair vítimas no Rio Grande do Sul. A suspeita é de que ele criava uma aproximação afetiva para conquistar a confiança das pessoas e, depois, obter vantagens financeiras.

Outro caso ocorreu em março, quando a Polícia Civil investigou um golpe que utilizou o nome da Havan para realizar cobranças falsas. Segundo a investigação, os criminosos teriam acesso a dados de clientes que possuíam dívidas reais com a empresa e usaram essas informações para tornar as cobranças mais convincentes. O grupo teria criado uma conta usando o CNPJ da varejista em uma plataforma de pagamentos e movimentado R$ 576 mil em um único dia. A operação identificou ao menos sete suspeitos envolvidos no esquema.