Soldado é morto, colega vira suspeita em reviravolta e carro pode ser peça-chave para desvendar caso

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Júlia Natália Girão Gomes foi presa suspeita de participar da morte de Raphael Sampaio da Silva (Foto: Reprodução)

Júlia Natália Girão Gomes foi presa suspeita de participar da morte de Raphael Sampaio da Silva (Foto: Reprodução)

O caso do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, que morreu a tiros e teve o corpo carbonizado em Itaitinga, no Ceará, está intrigando a polícia. Duas pessoas estão presas: Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, e a esposa dele, a policial militar Júlia Natália Girão Gomes, que antes era tratada como vítima no caso, mas foi detida depois de uma reviravolta na investigação.

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O soldado teve o corpo encontrado carbonizado em um carro no bairro Ancuri, conforme informações do g1. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, Raphael não sofreu “nenhuma amputação traumática”, mas a perícia encontrou “lesões por arma de fogo feitas na vítima ainda em vida, com posterior carbonização do corpo”.

Júlia era colega de equipe do soldado e tinha trabalhado com ele horas antes do crime. Ela foi encontrada em Aquiraz com as mãos amarradas e pedindo por ajuda, o que levou a polícia a acreditar que ela também era vítima da ação criminosa. Júlia afirmou que saiu do trabalho de carona com o soldado às 2h de terça-feira (11) e que os dois foram abordados por criminosos.

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Segundo ela, os supostos bandidos teriam matado o soldado e a retirado do carro pelos cabelos, a amarrando e a colocando no porta-malas de outro carro. Ela não soube dizer características desses criminosos.

Em depoimento, no entanto, a policial não quis responder perguntas e afirmou que ficaria em silêncio enquanto não estivesse com seu advogado.

“[…] com a manifesta contradição das declarações realizadas pelas equipes policiais, esta autoridade policial entendeu por dar voz de prisão a Soldado Júlia, uma vez que as diligências policiais demonstraram que a dinâmica dos fatos apontados pela SD Júlia ia de encontro com as informações policiais”, apontou o processo.

Para além do depoimento, Júlia também foi filmada na oficina do marido na manhã de terça-feira, quando ela estaria sendo vítima do sequestro. Além disso, o casal também deixou a filha na escola durante a manhã.

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A morte do soldado é investigada pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública.

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Advogado da policial também foi preso

O advogado de Júlia, Walmir Medeiros, também foi preso na manhã de sexta-feira (14) depois de tentar entregar um celular para a policial. Ele foi levado para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

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No entanto, depois de assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação, sem autorização legal, em unidade prisional, ele foi liberado. O celular foi apreendido.

Walmir já tinha passagens criminais por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha e alegou que se esqueceu do próprio celular em cima da mesa da sala onde estava conversando com a cliente. Júlia então teria pegado o celular e ligou para a sogra.

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“Eu não levei um celular para ela. Esqueci o meu celular em cima da mesa, e ela ligou para a sogra. Quando eu voltei, o sargento falou: ‘doutor, o senhor entregou o celular para ela?’. Eu falei: ‘eu? Eu não trouxe nenhum celular’. É o meu. Ele falou: ‘não, o seu celular está apreendido. Eu falei: ‘sem problema’. Eu não entreguei o celular para ela”, disse o advogado.

Walmir também é coronel da reserva do Exército Brasileiro e atual em casos como no julgamento dos réus da Chacina do Curió, em Fortaleza, em 2015.

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De acordo com a Associação dos Profissionais da Segurança (APS), o advogado foi afastado do caso e Júlia não receberá mais assistência jurídica como associada.

Carro apreendido pode ser peça-chave

Um carro foi apreendido na tarde de sexta-feira (14) por suspeita de ter sido utilizado no assassinato de Raphael. A polícia considera o veículo como uma possível pista do que aconteceu no caso do soldado. O carro estava na Avenida Washigton Soares, na região do bairro Messejana, e já passou por perícia.

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No entanto, as autoridades não divulgaram quem seria o dono do veículo e como ele poderia ter sido usado na morte de Raphael.