Sumiço de brasileira no exterior tem novo capítulo 83 dias após silêncio, confirma advogado de SC

Lucimara Caroline Norberto Ferreira, de Pouso Alegre (MG), estava sem contato com a família desde agosto

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Localização exata, no entanto, ainda não foi divulgada. (Fotos: EPTV, Reprodução)

A brasileira Lucimara Caroline Norberto Ferreira, de 32 anos, que estava desaparecida desde agosto deste ano após uma viagem ao exterior, foi localizada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) nesta sexta-feira (6). Segundo o advogado Telêmaco Marrace, que atua em Blumenau e representa a família, a mulher está bem. A localização exata, no entanto, ainda não foi divulgada porque o ministério ainda precisa obter a autorização para compartilhar a informação com os familiares.

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A atualização foi comunicada ao advogado por um e-mail enviado pelo Departamento de Assistência Consular (DAC), responsável pelo acompanhamento do caso. Telêmaco informou que aguarda novos encaminhamentos do órgão para adotar as medidas jurídicas necessárias e restabelecer o contato entre Lucimara e a família. O advogado suspeita que Lucimara esteja sob a tutela das autoridades do país em que foi encontrada e, por isso, não teria entrado em contato.

Com a localização confirmada pelo Itamaraty, a expectativa agora é de que o órgão obtenha a autorização da brasileira para informar à família onde ela está. Segundo o advogado, assim que forem esclarecidos o país e a situação em que Lucimara se encontra, serão adotadas as providências necessárias para garantir assistência jurídica e proteção consular.

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Entenda o desaparecimento

Moradora de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, Lucimara deixou o Brasil para uma viagem ao exterior em julho. Antes de partir, segundo informações repassadas pela família, ela deixou os dois filhos de seis e sete anos sob os cuidados da mãe, Jumara, enquanto o filho mais velho, de 12 anos, ficou com o pai. A mulher, que trabalhava em uma indústria farmacêutica na cidade, informou que pretendia retornar em aproximadamente 10 dias.

O último contato direto com a mãe aconteceu em 15 de agosto, quando Lucimara informou que estava em Paris, na França. Depois dessa conversa, as tentativas de comunicação não tiveram mais retorno. O advogado destacou que a ruptura repentina do contato chamou a atenção, especialmente porque Lucimara mantinha uma relação próxima com a mãe e os filhos.

“Falou pra mim: ‘Mãe, eu vou viajar, a senhora fica com as crianças’. Pra mim, ela estava trabalhando. ‘Vou viajar, a senhora fica com as crianças, porque eu preciso que a senhora fique com as crianças’. Falei: ‘Tá bom, Lucimara’. Ela falou: ‘Vou, mãe’. Ela não voltou mais. Ela me ligou dizendo para mim que estava fora, que ia mandar dinheiro para eu comprar umas coisas para as crianças. Eu falei: ‘Lucimara, onde você está?’. Ela falou: ‘Estou em Paris, mãe’. Eu falei: ‘Lucimara, o que você está fazendo em Paris?’. Ela falou: ‘Paris de novo'”, contou a costureira em entrevista ao g1.

A família também recebeu informações sobre uma possível passagem da brasileira por Madri, na Espanha, e chegou a ter acesso a uma fotografia que levantou a suspeita de que ela poderia estar hospedada em um hotel no Laos, país do sudeste asiático. Porém, a imagem não permitiu confirmar o estabelecimento nem a localização da mulher.

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“A família atravessa um momento de angústia indescritível. A mãe, Sra. Jumara, tem arcado com o sustento e cuidado integral dos netos enquanto lida com a falta de informações concretas. Nossa atuação visa trazer alívio e segurança jurídica, garantindo à família que todas as medidas institucionais e internacionais estão sendo executadas sem cessar”, elabora o advogado.

Além disso, surgiram relatos informais de uma possível prisão de Lucimara no exterior. A hipótese foi considerada pela defesa, mas não havia confirmação de qualquer detenção ou envolvimento em ocorrência policial.

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Advogado acionou o Itamaraty

Diante da ausência de respostas, a família passou a buscar por advogados especialistas na cooperação jurídica internacional e intermediação diplomática junto ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e encontraram o advogado Telêmaco Marrace, que passou a atuar na articulação de medidas jurídicas e diplomáticas para localizar a brasileira.

Entre as providências adotadas, a defesa formalizou pedidos de diligências ao Departamento de Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores. O objetivo era solicitar verificações junto às autoridades estrangeiras sobre possíveis registros migratórios, internações hospitalares ou eventuais registros de custódia policial e prisional. Também foram iniciados levantamentos sobre os possíveis itinerários internacionais de Lucimara, além da articulação com parceiros jurídicos e correspondentes na Europa e na Ásia.

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Segundo o advogado, a investigação considerava diferentes possibilidades, incluindo uma eventual detenção por autoridades migratórias ou policiais, a perda ou apreensão de aparelhos eletrônicos e situações de vulnerabilidade durante o deslocamento internacional.

A defesa também apontou dificuldades relacionadas à diversidade de sistemas jurídicos, às barreiras linguísticas e à necessidade de cooperação entre países. França, Espanha, Laos, Tailândia e Indonésia estavam entre os territórios considerados nas diligências.