“Teatro” do bilhete premiado faz vítimas em SC, causa prejuízo de R$ 148 mil e provoca operação policial

Ação policial cumpriu seis mandados de busca e apreensão e duas ordens de prisão em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul

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Três crimes investigados provocaram um prejuízo estimado em R$ 148 mil às vítimas. (Fotos: Polícia Civil, Divulgação)

Uma operação da Polícia Civil para combater um golpe do bilhete premiado prendeu dois suspeitos e cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul na manhã desta quarta-feira (28). A investigação apura três crimes praticados em Blumenau nos dias 9 de julho, 11 e 24 de agosto deste ano, que provocaram um prejuízo estimado em R$ 148 mil às vítimas.

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A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate a Estelionatos da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Blumenau, com apoio da 2ª Delegacia de Polícia de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão em Balneário Camboriú e Itapema, e em Passo Fundo (RS).

Em Balneário Camboriú, um suspeito foi preso e teve a residência alvo de buscas. Ele foi encaminhado ao Presídio de Itajaí, onde permanece à disposição da Justiça. O segundo mandado de prisão foi cumprido contra um investigado que já estava preso no Presídio Regional de Blumenau, também pelo crime de estelionato.

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As diligências de busca e apreensão ocorreram também em Itapema, onde foi cumprido um mandado, e em Passo Fundo, onde foram feitas quatro buscas. O material recolhido será analisado pelos investigadores, que continuam trabalhando para identificar outros possíveis envolvidos e verificar a existência de novas vítimas.

Confira imagens da operação

Como funciona o golpe

Segundo o delegado Wesley de Souza Costa, os criminosos costumam abordar pessoas idosas em vias públicas e utilizam uma história aparentemente simples para conquistar a confiança das vítimas. Em geral, os alvos têm mais de 65 anos.

A abordagem costuma ser feita por uma pessoa que pede ajuda para encontrar um estabelecimento comercial que, segundo o relato policial, não existe. Durante a conversa, o suspeito apresenta um papel e diz não saber do que se trata. Em seguida, surge uma segunda pessoa, que passa a participar da situação e afirma que o papel seria um bilhete de loteria premiado.

A partir daí, os envolvidos começam a construir uma história para convencer a vítima de que existe uma oportunidade de receber parte de um prêmio milionário.

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De acordo com o delegado, uma terceira pessoa pode aparecer durante a abordagem e se apresentar como alguém disposto a ajudar. Sem perceber que os envolvidos fazem parte do mesmo grupo, a vítima passa a acreditar que está diante de uma situação verdadeira.

Os suspeitos também simulam uma ligação telefônica para um suposto gerente de uma casa lotérica. Do outro lado da linha, outro integrante do grupo confirma que o bilhete seria premiado. Como os criminosos já conhecem os números apresentados no papel, a conversa é organizada para dar credibilidade ao golpe.

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O valor anunciado costuma variar entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, conforme a Polícia Civil. A pessoa que se apresenta como a dona do bilhete afirma, então, que não pode receber o prêmio por motivos religiosos ou pessoais. A partir desse argumento, os outros envolvidos sugerem que a vítima participe da negociação e fique com uma parte do dinheiro, desde que pague uma quantia como garantia ou gratificação.

Vítimas são convencidas a entregar dinheiro e bens

Depois de conquistar a confiança da vítima, os suspeitos passam a pressioná-la para conseguir dinheiro. Em algumas situações, acompanham a pessoa até uma agência bancária ou até a própria casa para obter os valores. Após receber o dinheiro ou os bens, os envolvidos deixam o local e prometem que a vítima receberá a parte do suposto prêmio mais tarde.

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Essa promessa nunca se concretiza e os criminosos desaparecem.

As vítimas registraram os fatos em boletins de ocorrência e a Delegacia de Combate a Estelionatos passou a investigar o caso. Através de imagens, troca de informações e análise de dados, chegaram aos suspeitos e os endereços que foram alvos de mandados de busca e apreensão. Com o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Civil busca reunir novos elementos de prova e esclarecer a participação de cada suspeito nos crimes.

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A Polícia Civil orienta a população a desconfiar de abordagens envolvendo supostos bilhetes premiados, especialmente quando há pedidos de dinheiro, transferências ou entrega de objetos de valor para liberar um prêmio. As situações suspeitas podem ser comunicadas pelo Disque-Denúncia 181.