Alunos de um colégio de Blumenau teriam usado Inteligência Artificial para forjar nudes de algumas colegas de turma e espalhar as imagens em grupos nas redes sociais. A própria direção do Sagrada Família percebeu a ação, acionou os pais dos envolvidos e das garotas e o caso acabou chegando à Polícia Civil.
Delegado da Criança, Adolescente e Mulher (Dpcami) em Blumenau, Juliano Tumitan explicou que detalhes não podem ser repassados por envolver menores de idade. Ainda assim, a reportagem apurou que quatro garotos do 3º ano do Ensino Médio teriam participado da criação e distribuição das imagens íntimas de cinco meninas.
Os arquivos modificados com uso de IA foram repassados para outros jovens por aplicativo de mensagem e não demorou para que o educandário descobrisse o ocorrido. Na terça-feira (24), os pais da alunas procuraram a Dpcami e registraram um único boletim de ocorrência. Tumitan conta que a maioria das pessoas já foi ouvida, restando poucos depoimentos a serem colhidos.
O auto de apuração de ato infracional — uma espécie de inquérito — deve ser remetido ao Ministério Público depois que o trabalho da Civil for concluído. Para a delegacia, os adolescentes cometeram ato infracional análogo ao crime de montagem ou manipulação de imagens de cunho pornográfico, delito que tem pena de até três anos de reclusão.
O colégio preferiu não se manifestar sobre o assunto. Os estudantes responsáveis pelo episódio foram expulsos.
Um crime semelhante motivou uma ação da Civil em outra cidade da região nesta semana. Um homem forjou fotos da ex-namorada pelada usando Inteligência Artificial e enviou os arquivos para o atual parceiro dela, em Ituporanga. A atitude é considerada crime há menos de uma década e resultou em uma “visita” dos policiais à casa do suspeito, na segunda-feira (23).
