O jornal Folha de S. Paulo contou neste sábado (17) que o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, disse à Polícia Federal, em delação premiada, que não foi informado por Daniel Vorcaro, do Banco Master, de que transferências a um fundo dos Estados Unidos seriam usadas para bancar o filme Dark Horse, sobre a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mineiro era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para o dono do Master. Ele afirmou que não teve contato com autoridades políticas e que tentou, sem sucesso, recuperar o investimento quando descobriu o destino.
A PF pondera que há aparentes contradições entre o que diz Mineiro e documentos obtidos na investigação. O órgão pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) mais 90 dias para aprofundar a análise.
O site The Intercept Brasil mostrou com exclusividade que Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse.
Em depoimento à PF, Mineiro afirmou que a operação foi apresentada como oportunidade de investir em fundo voltado ao desenvolvimento de empreendimentos imobiliários nos Estados Unidos, especialmente nos estados do Texas e da Flórida, associado a empresa de Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Ainda disparou que “em momento algum lhe foi informado que os recursos se destinavam ao financiamento de um filme ou cinebiografia”. Mineiro disse à PF que não aceitaria participar de uma operação “com esse viés em razão do elevado risco reputacional para seu portfólio de empresas”.
O depoimento foi dado em 1º de outubro. Ele disse que a demanda para transferir US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62 milhões) ao exterior partiu de Fabiano Zettel e foi confirmada por Vorcaro. Segundo a PF, a previsão era de repassar ao filme, no total, US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões).





