A cidade no interior de SC que teve 8 tornados em 8 anos e está entre as que tiveram mais registros do fenômeno no Brasil

Xanxerê aparece na quinta posição do ranking nacional, com oito ocorrências

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A cidade no interior de SC que teve 8 tornados em 8 anos e está entre as que tiveram mais registros do fenômeno no Brasil

Xanxerê é a cidade catarinense que mais registrou tornados nos últimos 8 anos (Fotos: Prefeitura de Xanxerê | Grupo Prevots)

Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, está entre os municípios brasileiros com maior número de registros de tornados nos últimos nove anos. A cidade aparece na quinta posição de um levantamento divulgado pelo g1, com oito ocorrências registradas entre 2018 e agosto de 2026.

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O número coloca Xanxerê ao lado de municípios de diferentes regiões do país e chama atenção para a frequência com que o Oeste catarinense é atingido por tempestades capazes de produzir fenômenos severos. O levantamento, elaborado a partir de dados do Prevots, reúne 524 registros de tornados no Brasil no período.

Xanxerê aparece empatada com Horizontina (RS) e Ananindeua (PA), ambas também com oito registros. No topo da lista estão Sarandi e Guaíba, no Rio Grande do Sul, e Dourados, no Mato Grosso do Sul, com nove ocorrências cada.

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As cidades brasileiras com mais registros de tornados

  • Sarandi (RS): 9
  • Guaíba (RS): 9
  • Dourados (MS): 9
  • Horizontina (RS): 8
  • Xanxerê (SC): 8
  • Ananindeua (PA): 8
  • Corbélia (PR): 7
  • Cerqueira César (SP): 7
  • Salvador (BA): 7
  • Guarapuava (PR): 6

Os dados foram levantados pelo Prevots, projeto que reúne pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). O Brasil não possui atualmente um banco de dados oficial específico para contabilizar todos os tornados registrados no território nacional.

Oeste está em uma das áreas mais favoráveis

O levantamento mostra que a concentração de tornados não ocorre de maneira uniforme pelo país. Dos 524 registros contabilizados desde 2018, 227 ocorreram nos três estados do Sul, sendo 93 no Rio Grande do Sul, 81 no Paraná e 53 em Santa Catarina. Juntos, os três estados concentram cerca de 43% das ocorrências brasileiras.

Além da quantidade, o Sul também apresenta uma característica que aumenta a preocupação: a proporção de tornados associados a supercélulas, tempestades rotativas com maior potencial para produzir fenômenos mais intensos, é maior do que no restante do país.

Segundo o levantamento divulgado pelo g1, 51% dos tornados registrados no Sul foram associados a supercélulas.

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Por que o Sul registra tantos tornados?

A frequência maior está relacionada à combinação de diferentes condições atmosféricas. Uma delas é o transporte de calor e umidade da região amazônica para o Sul, por meio dos chamados “rios voadores”. Ao mesmo tempo, massas de ar frio e seco avançam a partir da Argentina.

Quando essas massas de características diferentes se encontram, podem surgir condições de cisalhamento do vento, fenômeno em que a velocidade e a direção dos ventos mudam conforme a altitude. Em determinadas situações, esse ambiente favorece o desenvolvimento de tempestades rotativas e, posteriormente, de tornados.

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É justamente essa combinação que ajuda a explicar por que cidades do Oeste catarinense aparecem com frequência nos registros de fenômenos severos.

Últimos tornados registrados em SC

Nem todo tornado tem a mesma intensidade

Apesar dos 524 registros, a maioria dos tornados identificados no Brasil não está entre os fenômenos de maior potencial destrutivo.

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Segundo o levantamento do Prevots, as ocorrências estão distribuídas da seguinte maneira:

  • 304 tornados associados a trombas d’água ou terrestres;
  • 78 associados a linhas de instabilidade;
  • 142 associados a supercélulas.

As trombas, portanto, representam a maior parcela dos registros nacionais, enquanto as supercélulas correspondem a uma parcela menor, mas são consideradas as formações com maior potencial para produzir tornados fortes e duradouros.

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Uma supercélula é uma tempestade que apresenta uma rotação organizada em seu interior. Quando essa circulação favorece a formação de uma coluna de ar em rotação que alcança o solo, pode surgir o tornado.

Já as linhas de instabilidade são conjuntos de tempestades organizadas em linha e também podem produzir tornados. As trombas d’água e terrestres são fenômenos que igualmente entram na classificação utilizada no levantamento.

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Como os tornados são identificados?

A construção do banco de dados do Prevots envolve diferentes fontes de informação. Os pesquisadores acompanham relatos de moradores, notícias e publicações nas redes sociais que indiquem a ocorrência de um possível tornado.

Depois, os episódios são analisados com outras ferramentas, incluindo imagens de satélite ambiental. Os registros podem revelar marcas deixadas pelo fenômeno sobre a vegetação, permitindo verificar se houve uma trajetória compatível com um tornado e ajudar na avaliação da extensão dos danos.

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Esse trabalho é importante porque muitos fenômenos ocorrem rapidamente e em áreas rurais, onde não há equipamentos meteorológicos próximos capazes de registrar diretamente a formação.

É possível prever um tornado?

Meteorologistas conseguem identificar, com antecedência, condições favoráveis à formação de tempestades capazes de gerar tornados. O desafio está em determinar exatamente onde o fenômeno vai tocar o solo e em qual horário.

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Isso ocorre porque o tornado é um fenômeno relativamente pequeno e de curta duração. Assim, mesmo quando as condições atmosféricas indicam risco elevado, não é possível apontar com precisão, com muitas horas de antecedência, o ponto exato que será atingido.

Por isso, em situações de tempestades severas, os alertas meteorológicos e o acompanhamento em tempo real são fundamentais.

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Xanxerê no mapa dos fenômenos severos

Com oito registros desde 2018, Xanxerê aparece entre as cidades brasileiras que mais tiveram tornados identificados no período analisado. O dado chama atenção especialmente por se tratar de um município de pouco mais de 55 mil habitantes no Oeste catarinense.

A posição no ranking também reforça uma característica conhecida da região: a combinação de calor, umidade e mudanças significativas nas condições do vento pode criar ambientes favoráveis à formação de tempestades severas. Os números, porém, não significam que todos os oito episódios tenham apresentado a mesma intensidade ou causado grandes estragos. O próprio levantamento mostra que os tornados registrados no Brasil possuem características bastante diferentes entre si.