O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito chefe do executivo no domingo (25), pretende indicar o advogado criminalista Pierpaolo Bottini para comandar o Ministério da Justiça no próximo governo.
Bottini atuou como advogado dos irmãos Joesley e Wesley Batista e é ex-representante do banqueiro Daniel Vorcaro.
O advogado foi consultor jurídico da campanha à reeleição do presidente Lula e sua possível chegada ao ministério estaria associada a mudanças na estrutura da pasta e à intenção do governo de ampliar sua atuação em debates sobre o Judiciário.
Pierpaolo Bottini ganha força para assumir o Ministério da Justiça
De acordo com a CNN, o nome do advogado já circulava durante a campanha eleitoral e passou a ser considerado com mais força após o resultado da votação. Entre os fatores que pesam a favor de Bottini estão sua experiência no direito penal, sua proximidade com o campo político de Lula e a passagem anterior pela estrutura do governo federal.
A escolha também é vista por interlocutores do presidente como uma possibilidade de recuperar o perfil de um jurista influente no comando da pasta. A referência citada é Márcio Thomaz Bastos, criminalista que ocupou o Ministério da Justiça no primeiro governo Lula e atuou como consultor jurídico do então presidente.
Experiência em casos de grande repercussão e ligação com o governo
Bottini representou Daniel Vorcaro quando o caso envolvendo o banqueiro ganhou repercussão e também defendeu diferentes acusados na Operação Lava Jato. Além da atuação na advocacia criminal, ele ocupou a Secretaria Especial de Reforma do Judiciário durante o primeiro mandato de Lula, subordinado a Márcio Thomaz Bastos.
Naquele período, as discussões sobre mudanças no sistema judicial culminaram na Emenda Constitucional nº 45, que promoveu alterações na estrutura do Judiciário, incluindo a criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a uniformização dos tribunais superiores.
Reforma do Judiciário e Polícia Federal estão entre os desafios
A eventual indicação de Bottini também é relacionada à intenção de Lula de colocar alguém com influência política à frente da pasta. Segundo a CNN, interlocutores do presidente avaliam que o atual ministro, Wellington Silva, perdeu força em disputas internas entre setores da Polícia Federal (PF), conflitos que teriam exposto o governo, inclusive no caso Lulinha.
Outro objetivo seria colocar o advogado à frente das discussões sobre uma reforma do Judiciário. Bottini defende, por exemplo, a recriação da Secretaria Especial de Reforma do Judiciário, estrutura que permitiria ao governo coordenar debates sobre mudanças no sistema judicial.




