Após três tornados que atingiram Santa Catarina nos últimos dias, duas microexplosões foram confirmadas em duas cidades, uma em Fraiburgo no último domingo (1º) e outra em Timbó Grande, na última quarta-feira (4). Já os tornados foram confirmados em Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho.
A confirmação da microexplosão foi divulgada pela Defesa Civil de Santa Catarina nesta sexta-feira (6). Em quatro dias, os temporais severos deixaram marcas em diferentes regiões de Santa Catarina. Desde 1º de novembro, 126 municípios registraram ocorrências e 62 decretaram situação de emergência. O Estado soma 6.423 residências afetadas, 100 pessoas desabrigadas, 557 desalojadas e duas mortes.
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Uma das mortes foi de Jonathan Oliveira da Cruz, de apenas 20 anos, que não resistiu aos ferimentos após a cobertura do posto onde trabalhava ceder durante o tornado que atingiu Rio Negrinho, no Norte catarinense.
Duas microexplosões foram registradas entre domingo e quarta
Os temporais iniciaram antes da linha de instabilidade. Na tarde de domingo, 1° de novembro, em Fraiburgo, no Meio-Oeste, uma tempestade severa atingiu o município. A análise dos meteorologistas indicou que a causa foi uma microexplosão, fenômeno em que uma corrente de ar desce com força de dentro da tempestade, atinge o solo e se espalha, causando danos em uma área restrita.
Fraiburgo teve 891 residências afetadas, com queda de árvores, de estruturas metálicas e de postes de energia. A Defesa Civil entregou lonas para a cobertura provisória das casas, além de itens de assistência humanitária.
Posteriormente, na quarta-feira, 4, uma tempestade severa e isolada atingiu Timbó Grande e causou danos em poucos minutos. Foram 25 habitações afetadas. As imagens aéreas feitas pela Defesa Civil mostraram árvores derrubadas e espalhadas para fora a partir de um ponto central, o que permitiu concluir que se tratava de uma microexplosão.
Como a Defesa Civil diferencia um tornado de uma microexplosão
Para quem vê os estragos, os dois fenômenos podem parecer semelhantes. Entretanto, há uma diferença na forma em que os ventos se distribuem e no padrão dos danos, analisados por imagens aéreas.
No tornado, o vento gira com força e o centro da rotação toca o solo. Por isso, as árvores caem em sentidos diferentes de cada lado do caminho, como se o vento puxasse tudo para o meio. O rastro é estreito e bem definido, e uma área muito atingida pode estar ao lado de outra praticamente intacta. Mesmo durando poucos minutos, o tornado causa destruição concentrada.
Na microexplosão, o vento desce da tempestade e se espalha ao bater no chão, como a água de uma torneira que atinge a pia. Árvores, estruturas e materiais caem na mesma direção, ou se afastam de um ponto central, dentro de uma área mais ampla. Esse padrão, somado às características da tempestade, indica a ocorrência da microexplosão.
Tornados também atingiram cidades de Santa Catarina
Às 10h30, o primeiro tornado passou por Chapecó. No município, foram cerca de 2.400 residências afetadas, o maior número do estado. Cerca de 20 minutos depois, por volta das 10h48, o radar do Oeste identificou um segundo tornado, a mais ou menos 50 quilômetros do primeiro, em Xanxerê. A linha seguiu pelo Extremo-Oeste e pelo Oeste ao longo da manhã, com rajadas superiores a 100 km/h em diversos municípios.
Às 13h30, cruzou o Planalto Norte e provocou o terceiro tornado, em Rio Negrinho, onde a Defesa Civil observou araucárias com as copas danificadas, árvores arrancadas pela raiz e casas com telhados destruídos. O município registrou estragos em 134 residências. Logo depois, o sistema avançou para o Paraná. “Foram mais ou menos quatro horas para atravessar o estado”, resume Guerra.








