Calor extremo do super El Niño gera alerta global e pode causar 13 mil mortes no Brasil, projeta estudo de universidade dos EUA

Relatório é projeta 239 mil mortes globais nos próximos seis meses em decorrência dos efeitos de calor do El Niño

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período deve registrar 44% mais dias de calor extremo do que um ano considerado normal (Foto: Banco de imagens)

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Chicago, dos Estados Unidos, estima que mais de 13 mil pessoas podem morrer no Brasil nos próximos meses, em decorrência do calor do atual episódio de El Niño, que deve se intensificar neste trimestre.

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O relatório é assinado pelos pesquisadores Michael Greenstone, Tamma Carleton, Genevieve Maricle e Emily Grover-Kopec, do Climate Impact Lab, na Universidade de Chicago, e projeta 239 mil mortes globais, com margem de erro de 11 mil, somente nos próximos seis meses. Para o Brasil, 13,3 mil mortes são estimadas.

Segundo os autores, as temperaturas globais sobre áreas terrestres devem ficar 1,2°C acima do normal nos próximos meses. O período deve registrar 44% mais dias de calor extremo do que um ano considerado normal.

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De acordo com o jornal O Globo, o “relatório compara a projeção das mortes provocadas pelo calor às cerca de 6,8 mil pessoas que se acredita terem morrido ou desaparecido na recente enchente repentina no Nepal”. Para o calor, a estimativa é aproximadamente 65 vezes maior.

Sul Global em alerta

As regiões que devem apresentar os maiores aumentos nas mortes em decorrência do calor nos próximos seis meses estão principalmente no Sul Global. Nos países do Sahel, entre o deserto do Saara, ao norte, e a savana do Sudão, a estimativa é de 66,8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor, entre setembro e fevereiro do ano que vem, em comparação com um ano normal. Quase metade estaria concentrada na Nigéria, que pode registrar 31,4 mil mortes.

O Sudão aparece com 17,5 mil mortes projetadas, seguido por Níger, com 10 mil, e Chade, com 8 mil. Já o Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somariam 19,4 mil mortes adicionais. Para a Indonésia, a projeção é de 19,3 mil mortes.

Na Índia, o relatório estima 15,8 mil mortes nos seis meses analisados. Para o Brasil, são projetadas 13,3 mil mortes.

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Grande parte das mortes deve ocorrer até fevereiro

Segundo a pesquisa, o período de maior concentração das mortes não deve ser igual em todos os países. Em alguns locais com projeções elevadas, uma parcela dos casos deverá ocorrer na segunda metade dos seis meses previstos, o que, para os autores, ainda oferece tempo para a adoção de medidas.

Entre a janela de dezembro e fevereiro, as estimativas adicionais são de 15,4 mil mortes na Nigéria, 10 na Indonésia, 8 mil no Brasil e 7,4 mil na Índia.

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Mesmo depois de fevereiro de 2027, regiões do Hemisfério Norte, como Índia e Paquistão, podem continuar registrando um crescimentos nas mortes relacionadas ao calor durante o verão.

Calor tem relação com El Niño

A pesquisa associa grande parte do aumento das temperaturas com o “Super El Niño”, que começou em junho e deve persistir até a primavera de 2027. Os autores afirmam que as temperaturas previstas serão semelhantes às máximas que as mudanças climáticas devem produzir daqui a cerca de 20 anos.

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Por isso, o período atual é descrito no relatório como um “cartão-postal do futuro”. Os pesquisadores distinguem esse cenário das projeções de longo prazo por causa da possibilidade de agir antes que as mortes ocorram. A proposta é usar as previsões para identificar as regiões onde o calor deverá produzir maior mortalidade e direcionar recursos para esses locais.

Oficialmente, “super El Niño” não é uma classificação científica. O termo é usado popularmente para episódios considerados muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média.

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De acordo com a nota técnica conjunta do Inmet e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há 98% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante o trimestre outubro, novembro e dezembro de 2026, período em que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve influenciar o clima em diversas regiões do mundo.

Entenda o El Niño em 10 passos

Medidas e combates propostos contra o calor extremo no El Niño

Entre as medidas de adaptação citadas pelos pesquisador estão sistemas de alerta de calor, ações de saúde voltadas a populações vulneráveis, centros de resfriamento, postos de hidratação, proteção de trabalhadores e ampliação da capacidade dos sistemas de saúde.

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Além disso, o Inventário de Adaptação do Climate Impact Lab reúne ainda estratégias como financiamento antecipatório, planos de ação contra o calor, visitas domiciliares de profissionais de saúde, ampliação do acesso à água, monitoramento de sintomas associados ao calor, previsões de temperatura mais precisas e maior acesso a tecnologias de resfriamento.

Para os autores, ainda é necessário ampliar a base de evidências sobre quais medidas funcionam e em quais contextos, dependendo de cada região atingida.

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Como as mortes foram calculadas

A metodologia utiliza pesquisas do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab) que estimam a relação entre temperatura e excesso de mortalidade. O modelo considera diferenças entre regiões em fatores como clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação.

Essas relações foram calculadas para mais de 24 mil regiões em todo o mundo. Em seguida, os pesquisadores aplicaram os resultados às anomalias de temperatura projetadas pelo ECMWF SEAS5 (Seasonal Forecasting System 5), a quinta geração do sistema de previsão climática sazonal de longo prazo desenvolvido pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF).

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O cálculo compara a mudança no excesso de mortalidade relacionada à temperatura com a média registrada entre 1996 e 2025. A incerteza também foi incorporada ao modelo. A previsão sazonal utiliza um conjunto de 51 membros de previsão, permitindo apresentar uma estimativa central e uma medida de incerteza. Segundo o Globo, os detalhes completos da metodologia ainda serão publicados em um periódico com revisão por pares.