Um ciclone bomba deve começar se organizar nesta quinta-feira (6) com previsão de chuvas fortes, queda de granizo e ventos de até 100 km/h nos oceanos, principalmente no Sul e Sudeste do país, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De acordo com Matheus Manente, meteorologista da Meteored, algumas regiões serão mais afetadas do que outras.
As previsões do órgão apontam que o sistema deve provocar granizo, temporais e rajadas de vento acima de 60 km/h em diversas regiões do Brasil, sendo que o Sul deve ser o mais impactado. De acordo com o meteorologista, os impactos do fenômeno sobre a região Sudeste serão mais limitados, restritos apenas a partes de São Paulo.
O sistema deve provocar mudanças no tempo, especialmente no Sul do Brasil e em parte do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, segundo o especialista. Entre a tarde de quinta (6) e a sexta-feira (7), tempestades serão registradas em todos os estados da região Sul e também em Minas Gerais e São Paulo.
Existe risco elevado de ocorrência de granizo sobre o Rio Grande do Sul, além de rajadas muito intensas de vento, que podem chegar a velocidades de 100 km/h, segundo Matheus. O estado do Rio Grande do Sul está em alerta vermelho para para tempestades, com chuva superior a 60 mm/h ou maior que 100 mm/dia, ventos superiores a 100 km/h e queda de granizo.
Os efeitos mais destrutivos do ciclone bomba devem ser registrados na região Sul. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e o Sul de Minas Gerais também devem ser atingidos, mas de forma mais limitada.
Sistema não traz grandes riscos ao Sudeste
A frente fria associada ao ciclone bomba deve chegar ao estado de São Paulo entre a tarde e a noite da sexta-feira (7), causando pancadas de chuva em boa parte da região de Itapetininga, o Litoral Sul e a Região Metropolitana da capital, segundo o meteorologista.
Essas pancadas de chuva podem continuar ao longo da madrugada e manhã do sábado (8), mas logo se dissipam. No domingo (9), nebulosidade e chuva fraca devem ser formar sobre parte do Rio de Janeiro.
Chuvas não devem passar dos 100 milímetros e as rajadas de vento atingem valores muito menores do que os que serão registrados na região Sul, chegando a 70 km/h.
Quais são as recomendações da Defesa Civil em casos de chuva
Embora parte do Sudeste, principalmente São Paulo, entre em aviso e registre a ocorrência de tempestades entre a sexta-feira e o sábado, o “sistema não deve ocasionar tempo extremamente severo, sem chuvas torrenciais, e muito menos rajadas de vento extremas”, segundo o meteorologista.
Ciclone bomba é comum?
Ciclones extratropicais são fenômenos comuns nas latitudes médias, onde massas de ar frio e quente se encontram com frequência, segundo o g1. Entretanto, só uma parte deles se intensifica rápido o suficiente para ser classificado como ciclone bomba.
Esses episódios são mais frequentes sobre os oceanos e durante os meses mais frios, atingindo principalmente as áreas no Atlântico Norte e no Pacífico Norte, especialmente perto da costa leste da América do Norte e do Japão. No Hemisfério Sul, os ciclones aparecem nas rotas de tempestades que atravessam o Atlântico Sul, o Índico e o Pacífico.
No Brasil, os efeitos mais graves não vêm do ciclone em si, que costuma ficar sobre o oceano, e sim das tempestades organizadas ao redor do sistema, capazes de gerar rajadas muito fortes, granizo e chuva intensa em terra.
Os prejuízos resultam da combinação de fatores como:
- Tempestades relacionadas à frente fria;
- Grandes volumes de chuva sobre um solo já encharcado;
- Ressaca e avanço do mar em áreas costeiras;
- Queda de temperatura após a passagem do sistema;
- Maior vulnerabilidade de cidades com rede elétrica aérea, árvores sem manejo e construções frágeis.




