A primavera, que começou oficialmente às 21h05min de terça-feira (22), deve ser marcada por episódios mais frequentes de chuva, temporais e ventos fortes em Santa Catarina. A combinação entre as características típicas da estação e a previsão de um “super” El Niño aumenta o potencial para eventos meteorológicos severos no estado, segundo previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Defesa Civil catarinense.
De acordo com a nota técnica conjunta do Inmet e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), há 98% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante o trimestre outubro, novembro e dezembro de 2026, período em que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve influenciar o clima em diversas regiões do país.
Oficialmente, “super El Niño” não é uma classificação científica. O termo é usado popularmente para episódios considerados muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média.
Para a Região Sul, a previsão aponta excesso de chuvas nos três estados, com os maiores volumes esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo o prognóstico do Inmet, os acumulados podem ficar até 200 milímetros acima da média histórica durante o trimestre.

Santa Catarina deve ter mais temporais
A meteorologista da Defesa Civil, Francine Sacco, explica que a primavera já é naturalmente um período de maior ocorrência de temporais devido ao contraste entre massas de ar frio e o aumento gradual das temperaturas. Com o fortalecimento do El Niño, que deve ter efeitos mais perceptíveis entre outubro e novembro, o fenômeno também pode favorecer volumes de chuva acima da média.
Segundo a meteorologista, a chegada de frentes frias e ciclones a uma atmosfera mais aquecida favorece o desenvolvimento de nuvens de tempestade, elevando os riscos de vendavais, granizo e outros eventos severos.
“O El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera a circulação da atmosfera, deve reforçar as características da primavera em Santa Catarina. A estação é um dos períodos mais chuvosos do estado e, com a influência do fenômeno, o volume de chuva deve ser ainda maior”, informa a Defesa Civil.
Além das chuvas, o fenômeno também tende a deixar as noites menos frias. Conforme a Defesa Civil, a maior nebulosidade e a atmosfera mais úmida dificultam a queda das temperaturas mínimas durante a estação.
Entenda o El Niño em 10 passos
Risco de alagamentos e deslizamentos preocupa
A principal preocupação dos órgãos meteorológicos é a repetição de episódios de chuva em intervalos curtos de tempo. Segundo a Defesa Civil, solos já encharcados e sem tempo suficiente para escoar a água podem ampliar os impactos hidrológicos e geológicos, aumentando os riscos de enxurradas, alagamentos, inundações e deslizamentos de terra.
O prognóstico do Inmet destaca que a Região Sul deverá registrar chuvas frequentes e, em alguns momentos, volumosas ao longo da primavera. Durante a primavera, a Região Sul pode registrar episódios de Complexos Convectivos de Mesoescala, fenômenos normalmente associados a chuvas fortes, rajadas de vento, descargas elétricas e eventual queda de granizo.
Na Região Sul, a previsão é de chuvas acima da média, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A condição de chuvas frequentes e, por vezes, volumosas, associada a temperaturas próximas e acima da média, tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de verão. Além das culturas de grãos, as pastagens também poderão ser beneficiadas, desde que apresentem condições adequadas de nutrição, favorecendo o rebrote e a disponibilidade de massa verde para a alimentação dos animais.









