El Niño encosta no nível “super” e Defesa Civil reforça alerta para próximas semanas em SC

El Niño segue ganhando força no Oceano Pacífico e já registra uma anomalia semanal de 1,8°C na região Niño 3.4, principal área usada para monitorar o fenômeno; aumento de 2°C marca evento "muito forte"

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Imagens mostram formação do El Niño (Foto: ESA, Divulgação)

Diferença de temperaturas no El Niño em relação à média das temperaturas da superfície do mar na linha do equador, no Oceano Pacífico tropical, em junho de 2026 (Foto: ESA, Divulgação)

O El Niño segue ganhando força no Oceano Pacífico e já registra uma anomalia semanal de 1,8°C na região Niño 3.4, principal área usada para monitorar o fenômeno. O valor está próximo dos 2°C que marcam um evento muito forte, popularmente chamado de “Super El Niño”.

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A atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgada nesta terça-feira (8), aponta mais de 90% de chance de o El Niño alcançar essa intensidade entre os trimestres de setembro a novembro de 2026 e de novembro de 2026 a janeiro de 2027.

Para o trimestre entre outubro e dezembro, a agência calcula ainda 69% de possibilidade de um evento histórico, que supere a intensidade dos El Niños anteriores registrados desde 1950.

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Os 1,8°C correspondem à medição semanal da temperatura na região Niño 3.4. Já o Índice Relativo de Niño Oceânico (Roni), adotado pela NOAA e calculado a partir da média de três meses, está em 1,4°C no trimestre entre junho e agosto. As projeções indicam que esse indicador também deve ultrapassar os 2°C nos próximos meses.

Defesa Civil reforça monitoramento para este mês

Diante do cenário, a Defesa Civil de Santa Catarina reforçou o monitoramento e os cuidados para as próximas semanas. Segundo o gerente de monitoramento e alerta do órgão, Frederico de Moraes Rudorff, há grande possibilidade de o fenômeno alcançar o patamar mais elevado ainda neste mês.

O El Niño forte é caracterizado a partir de 1,5 até 1,9 °C de anomalia de temperatura. Acima de 2,0, ele já se caracteriza como um El Niño muito forte. Atualmente, estamos monitorando toda a evolução deste ano e registrando temperatura em torno de 1,8 °C, entrando na categoria de El Niño forte. É muito provável que nas próximas semanas ou no próximo mês ele já entre na categoria de um El Niño muito forte, que é considerado um ‘Super El Niño’, como vem sendo bastante divulgado na mídia.

Intensidade não significa desastre maior

Apesar do avanço do fenômeno, a Defesa Civil ressalta que um El Niño muito forte não provoca automaticamente eventos extremos mais intensos. Enchentes históricas registradas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, por exemplo, ocorreram durante fenômenos de diferentes intensidades.

“Um El Niño muito forte tende sim a aumentar a frequência de chuvas, mas a ocorrência de grandes eventos depende da combinação com outros fatores climáticos, como a oscilação de Madden-Julian”, afirma Rudorff, em referência ao padrão climático que se desloca pelos trópicos a cada 30 a 60 dias, alternando fases úmidas e secas.

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Segundo ele, a combinação com o fluxo de umidade, o jato subtropical e outros padrões atmosféricos é determinante para a ocorrência de temporais e volumes elevados de chuva.

Entenda o El Niño em 10 passos

Primavera é uma das janelas mais críticas para SC

A primavera de 2026 e o outono de 2027 são apontados pela Defesa Civil como as duas janelas mais críticas de monitoramento em Santa Catarina. Isso ocorre porque o El Niño costuma aumentar a frequência das chuvas no Estado durante as estações de transição.

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Outro fator acompanhado é o aquecimento dos oceanos, que amplia a quantidade de umidade disponível para a formação de tempestades e chuvas intensas.

Quando o nível base de temperatura dos oceanos está mais aquecido, nós tendemos a ter mais umidade disponível, e essa umidade atua como um verdadeiro combustível para tempestades e chuvas intensas. Então, sim. Projetamos que com a maior disponibilização de umidade em todos os oceanos, especialmente no oceano Atlântico, que está mais perto de Santa Catarina, mais intensos os fenômenos tendem a ser.

Como se proteger

A Defesa Civil orienta a população a:

  • Enviar o CEP por SMS para o número 40199 e receber alertas;
  • Buscar abrigo seguro durante temporais com vento forte ou granizo;
  • Manter distância de árvores e postes;
  • Não atravessar ruas alagadas ou pontes submersas;
  • Sair do imóvel ao identificar sinais de deslizamento, como rachaduras, postes inclinados ou água barrenta saindo de barrancos;
  • Acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou os Bombeiros pelo 193 em situações de emergência.