El Niño entra em fase ainda mais intensa e pode atingir nível “super” a partir deste mês

Segundo a última atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 93% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro

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Imagem Satélite formação El Nino

Imagem divulgada pela Agência Espacial Europeia e que mostra o aquecimento das águas no Pacífico (Arte de Ben Ami Scopinho sobre foto de ESA, Reprodução)

O El Niño que atua desde junho de 2026 está se fortalecendo e deve entrar em uma fase ainda mais intensa a partir do mês de setembro. Segundo a última atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.

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A projeção da NOAA indica ainda 69% de probabilidade de o El Niño alcançar, entre outubro e dezembro, uma intensidade superior à de todos os outros episódios registrados desde 1950.

Para Santa Catarina, a intensificação ocorre justamente na chegada da primavera, período naturalmente mais chuvoso. A Epagri/Ciram e a Defesa Civil estadual preveem chuva acima da média entre setembro e novembro, principalmente em outubro e novembro.

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Em SC e no Sul do Brasil, o El Niño provoca maior frequência de:

  • alagamentos
  • enxurradas
  • inundações
  • deslizamentos

El Niño está em fortalecimento

O monitoramento da NOAA mostra que as águas do Pacífico Equatorial permanecem mais quentes do que o normal. A anomalia semanal da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 chegou a 1,8°C acima da média. Já o índice oficial calculado para o trimestre entre maio e julho ficou em 1°C.

Para ser classificado como muito forte, o El Niño precisa atingir ou superar 2°C no índice usado pela NOAA. A previsão aponta mais de 90% de chance de essa intensidade ser alcançada entre os trimestres de setembro a novembro e de novembro a janeiro. O fenômeno deve permanecer ativo, pelo menos, até o outono de 2027 no Hemisfério Sul.

Apesar da projeção, a NOAA ressalta que um El Niño mais forte não provoca, necessariamente, impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos dependem também da atuação dos sistemas meteorológicos e das condições locais.

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Primavera será período de maior atenção em SC

Segundo a Epagri/Ciram e a Defesa Civil, o inverno de 2026 já teve volumes de chuva acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.

A preocupação aumenta com a primavera, que começa no dia 22 de setembro de 2026. Setembro, outubro e novembro marcam a transição para uma época com maior frequência e intensidade dos sistemas responsáveis por chuvas e temporais em Santa Catarina.

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“A combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño. É consenso entre os modelos meteorológicos volumes de chuva acima do normal para o trimestre, principalmente nos meses de outubro e novembro, sendo esperada uma maior frequência de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, especialmente durante episódios de chuva intensa e persistente”, diz nota publicada pela Defesa Civil.

Como deve ser setembro

Para setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a tendência é chuvas acima da média.

A previsão trimestral da Epagri indica que os maiores excessos de chuva em Santa Catarina devem ocorrer principalmente em outubro e novembro.

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Em relação às temperaturas, setembro ainda pode ter avanços de massas de ar frio, com valores próximos da média. Ao longo do trimestre, porém, os episódios de frio devem se tornar menos frequentes, e as temperaturas tendem a ficar dentro ou acima do normal.

Orientações da Defesa Civil

Durante períodos de chuva intensa ou temporais, a Defesa Civil recomenda:

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  • não atravessar ruas alagadas, pontes ou pontilhões submersos;
  • manter crianças afastadas de rios e ribeirões;
  • observar inclinação de postes e árvores, movimentos de terra e rachaduras em paredes;
  • procurar abrigo longe de árvores, placas e objetos que possam ser arremessados;
  • acompanhar diariamente os avisos e boletins meteorológicos.

Quais regiões de SC são mais vulneráveis

As regiões de SC mais vulneráveis são o Vale do Itajaí e o Oeste. O primeiro sofre com o acúmulo de água na bacia hidrográfica e à consequente elevação do nível dos rios. Já no segundo, municípios cortados pelo Rio Uruguai também exigem atenção em eventos de chuva intensa.

O Vale do Itajaí é muito suscetível a episódios de inundação, porque toda a chuva que acontece ali na bacia vai acumulando e traz uma elevação do nível dos rios. (…) Na região Oeste do Estado, a chuva trouxe uma cheia para o Rio Uruguai. Palmitos, Itapiranga e Águas de Chapecó tiveram alertas de inundação. Então, cada região tem sua especificidade. A gente precisa fazer essa avaliação considerando não só o volume de chuva previsto, mas também a vulnerabilidade de cada região”, afirmou o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de SC, em entrevista recente ao NSC Total.

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Entenda o El Niño em 10 passos

Como o El Niño afeta o tempo?

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

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O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.