Ela reconstruía a vida após a enchente, até ouvir outra vez o barulho da água chegando no RS

No total, 540 pessoas precisaram deixar suas casas e buscar abrigo em Lajeado, uma das cidades mais atingidas pelas cheias

Compartilhe:
Enchente em Lajeado

Rose de Lima, moradora do Centro de Lajeado, decidiu ficar em casa monitorando o avanço da água(Foto: RBS TV, Reprodução Globoplay)

O trauma da enchente histórica de 2024 voltou a assombrar moradores de Lajeado, no Rio Grande do Sul, com a nova cheia do rio Taquari. Famílias relatam o medo de reviver as perdas do passado enquanto acompanham, novamente, o avanço da água.

Continua após a publicidade

A dona de casa Rose de Lima, moradora do Centro de Lajeado, decidiu ficar em casa monitorando a situação. Na quarta-feira (22), vizinhos do andar de baixo decidiram sair de casa, enquanto ela ficou.

— A gente já tem as coisas ali meio, meio que preparado, né? Se precisar a gente sai, e se não precisar a gente vai ficando. A gente tá medindo centímetro por centímetro, porque não dá pra facilitar, né? Não dá, a gente já perdeu tudo uma vez e não dá pra perder tudo de novo — relatou Rose à RBS TV.

Continua após a publicidade

Lajeado, que fica no Vale do Taquari, é uma das cidades mais atingidas pelas cheias. Na madrugada de quinta-feira (23), o rio Taquari atingiu 24,76 metros, valor bem acima da cota de inundação, de 19 metros. Após horas de apreensão, o nível começou a baixar e chegou a 21,90 metros às 15h30min.

No total, 540 pessoas precisaram deixar suas casas e buscar abrigo, segundo dados da Defesa Civil estadual. Ao longo da quarta-feira (22), caminhões carregados com móveis e pertences chegaram ao abrigo, organizado no Parque do Imigrante. As famílias organizaram seus objetos em espaços improvisados com lonas, para preservar um pouco da privacidade.

Barulho da água reviveu medo da enchente anterior

A atendente Ketlin Amanda Wadenphul e a mãe dela, a dona de casa Tatiana Streb de Souza reviveram o medo da enchente anterior. As duas acordaram com o barulho da água e a movimentação dos vizinhos, e precisaram ir ao abrigo.

— Ah, é horrível, né? Porque, querendo ou não, a gente já tem nosso lugar, a gente fica bem lá. Aqui é um lugar até bom, mas não é a nossa casa, né. A gente fica mal de ter que ficar aqui e não poder ficar lá — afirmou Ketlin.

Continua após a publicidade

Tatiana também descreveu a angústia de não saber como encontrará a casa quando puder voltar.

Ah, é um sentimento de tristeza, né? A gente sabe que saiu, tava de um jeito, a gente vai voltar vai tá de outro, bem deplorável do que o que a gente tava acostumada a conviver no dia a dia — disse.

Veja imagens da enchente em Lajeado