Um tsunami meteorológico causou estragos em restaurantes e ranchos de pescadores na Praia do Cardoso em Laguna, no Sul de Santa Catarina, nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (21). O fenômeno, que é raro, foi confirmado em nota da Defesa Civil assinada pelo meteorologista Caio Guerra.
Segundo o profissional, o fenômeno não é comum e está associado a alterações bruscas na pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o mar.
Além de raro, o tsunami meteorológico é difícil de prever, e há poucos registros deles no litoral catarinense. O último na Praia do Cardoso ocorreu em 2023.
“Apesar da previsão de mar agitado para os próximos dias, não está previsto um novo evento desse tipo. O tsunami meteorológico depende de condições de tempo muito específicas, e a tendência é de estabilidade com a chegada da massa de ar frio e seco, o que não favorece novas linhas de instabilidade sobre o mar”, diz a nota.
Além de Laguna, as cidades de Jaguaruna e Imbituba também tiveram alagamentos registrados após a elevação rápida do nível do mar. Há registros de vias danificadas com acúmulo de areia e água, danos em edificações e barcos arrastados.
O tsunami meteorológico está associado a alterações bruscas na pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o mar. “Essas condições podem provocar uma elevação rápida e temporária do nível do mar, favorecendo o avanço da água em direção à faixa costeira. Diferentemente do tsunami de origem sísmica, não tem relação com terremotos”, informa a Defesa Civil.
Ainda conforme a nota, a confirmação do fenômeno foi feita após análise dos radares, satélites e marégrafos. Sobre a região, especialistas observaram uma linha de instabilidade com uma faixa de nuvens à frente da chuva. Isso provou rajadas intensas de vento Sul, atingindo até 90 km/h.
A atuação desses ventos, associada às alterações na pressão atmosférica, coincidiu com uma elevação rápida do nível do mar por volta das 6h, registrada pelos marégrafos de Imbituba e Laguna e por câmeras de segurança na faixa litorânea.
Tsunami meteorológico causou estragos em SC
A força da água chegou a quebrar uma porta de vidro de um dos restaurantes. Mobiliário também foi arrastado. Ao Bom Dia Santa Catarina, da NSC TV, o pescador Paulo contou que, pouco antes da onda chegar, o mar recuou. “A maré secou”, disse ele. Uma embarcação e redes de pesca foram arrastadas pela água.
Em Jaguaruna, o mar também avançou e chegou a invadir uma rua. Na prainha do Farol de Santa Marta, próximo à Praia do Cardoso, um muro da igrejinha teria sido derrubado pela força da água. Na região do Litoral Sul, ainda foi registrado granizo em Içara.
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O que é tsunami meteorológico?
O tsunami meteorológico ocorre quando uma quantidade de nuvens carregadas e fortes ventos avançam rapidamente sobre o mar e formam uma grande onda que chega até a praia. Ele está normalmente está atrelado a algum sistema meteorológico, como linhas de instabilidade. Isso torna o fenômeno mais difícil de ser previsto.
Apesar do nome, ele não tem relação com um tsunami comum, que é provocado por um terremoto e normalmente tem poder destrutivo maior.






