“Não vai ter ninguém chorando no cemitério”, dispara Nunes após decisão do STF que libera “Uber moto”

Aumento no número de mortes no trânsito é embate no governo

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"Não vai ter ninguém chorando no cemitério", dispara Nunes após decisão do STF que libera "Uber moto"

Prefeitura defende maior segurança no trânsito (Foto: Uber, Divulgação)

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), discordou da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite o transporte de passageiros de moto por aplicativo. Nesta quarta-feira (22), o município informou que irá recorrer na Justiça da decisão. A justificativa para recusa é o aumento do número de mortes e acidentes por moto na capital paulista.

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A justiça de São Paulo determinou na terça-feira (21), que a prefeitura deveria voltar a liberar a utilização de motos em aplicativos de mobilidade urbana. O parecer garante 48 horas para que o município aprove o retorno de operações sob duas rodas da empresa de transporte por aplicativo, Uber. O não cumprimento da ação prevê multa diária de R$ 5 mil.

Ao anunciar a decisão de recorrer da sentença, Nunes informou que defenderá que o bloqueio garante segurança nas vias públicas:

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— Quando acontecer o acidente, a morte, as amputações, as pessoas ficarem paraplégicas, não vai ter ninguém [do STF] chorando a perda das pessoas no cemitério, porque infelizmente vão morrer.

O prefeito também repreendeu o ministro Alexandre de Morais, do STF, que barrou exigências da prefeitura para controle do serviço. Nunes reclamou, ainda, que o Judiciário interfere nas políticas públicas de estados e municípios.

Em nota, a Uber informou que, “na decisão, a magistrada destacou o comportamento contraditório da administração municipal ao levantar questionamentos burocráticos de última hora sobre a declaração de seguro, como a ausência de assinatura, que não haviam sido questionados em fases anteriores e que extrapolam o que já havia sido julgado”.

“O tribunal pontuou ainda que a própria Uber apresentou, em 17 de julho, a declaração com assinatura eletrônica dos representantes da seguradora Chubb e as condições da apólice, esvaziando por completo as ‘objeções formais tardiamente suscitadas’ pelo município”, complementa o comunicado.

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Entenda a polêmica envolvendo o transporte por aplicativos

Em janeiro de 2023, Nunes decretou suspenção temporária de transporte de aplicativos em motocicletas. Ainda em janeiro, a empresa de transportes por aplicativo, Uber, bloqueou as viagens realizadas sob duas rodas.

Já em dezembro de 2025, Nunes sancionou projeto de normatização dos serviços. Segundo o prefeito, o regulamento seguia a legislação vigente e aprovada pela Câmara. Uma das principais decisões era a multa entre R$ 4 mil e R$ 1,5 milhão para empresas que descumprissem as regras.

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Com estas novas regras, nenhuma empresa tinha conseguido se credenciar para operar regularmente o serviço. A Uber teve o pedido negado pela prefeitura e a 99 desistiu do serviço de moto por aplicativo na cidade de São Paulo.

O STF esteve em desacordo com as normas desde a sanção e passou a a suspender diversas leis ainda em janeiro de 2026. O ministro Alexandre de Morais derrubou, em junho, a exigência de contratação de seguros mais abrangentes e com valores muito mais altos do que os permitidos na legislação federal, como forma de aprovar o credenciamento das empresas. O seguro de Acidentes Pessoais a Passageiros (APP), pedido por Nunes, precisava abranger tanto passageiro, quanto condutor e terceiros.

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 “A exigência de valores vultosos, destoantes do que se verifica com normas aplicáveis a atividades semelhantes, o que fortalece a tese de que o ente municipal, para além do rigor na regulação de tema de interesse da população, pretendeu inviabilizar a disponibilização do serviço de transportes de passageiros por motocicletas”, destacou Moraes na decisão.

Em 15 de julho, o Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV) emitiu indeferimento que impedia o uso de motos por aplicativo.

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No embate desta semana, a juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), pediu o retorno do transporte por moto e deu 48 horas para a prefeitura aprovar o credenciamento da Uber. Na decisão a juíza anulou o indeferimento do CMUV.

Acidentes de moto são principal causa de morte em SP

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), através do Infosiga, neste ano, o número de mortes por acidentes de moto no estado diminuiu. Porém, na capital paulista, a porcentagem do primeiro semestre de 2026 foi maior em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Das 489 mortes registradas em acidentes de trânsito em São Paulo, 238 foram de motociclistas, quase metade do valor total. Ao comparar com o ano passado, houve um aumento de mais de 8%, quando foram 220 óbitos em 2025.

A proibição dos mototáxis não é a primeira tentativa de redução de tragédias. Em 2022, a prefeitura de SP inaugurou as “Faixas Azuis”, faixas preferencias para que os motoboys não conduzam na mesma via que os carros, e mantenham distância segura, evitando acidentes. Espaços em semáforos também foram disponibilizados.

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*Sob Supervisão de Luana Amorim